Michelle Bachelet, Rafael Grossi, Macky Sall... Conheça os quatro candidatos à liderança da ONU

Michelle Bachelet, Rafael Grossi, Macky Sall... Conheça os quatro candidatos à liderança da ONU

Ouvidos pelos representantes dos 193 Estados-Membros, os quatro candidatos expuseram a sua visão para o lugar atualmente ocupado por António Guterres. A decisão final depende, em grande medida, da escolha das grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Um Olhar Europeu com Franceinfo /
Charly Triballeau / AFP

É um cargo tão importante como ingrato, num mundo onde os conflitos se multiplicam. 

Quatro candidatos continuam na corrida para substituir António Guterres à frente das Nações Unidas a partir de 1 de janeiro do próximo ano: Michelle Bachelet, Rafael Grossi, Macky Sall e Rebeca Grynspan, todos foram ouvidos pelos representantes dos 193 Estados membros da ONU na semana passada.

Durante quase três horas, cada um deles respondeu a perguntas de diplomatas e representantes da sociedade civil numa "grande oral" pública, introduzida em 2016 para aumentar a transparência do processo de nomeação do Secretário-Geral. Todos sublinharam a necessidade de revitalizar o papel da ONU na resolução de conflitos, sem tomar uma posição demasiado forte em relação às crises atuais.

Mas o jogo principal está a ser jogado nos bastidores. O futuro Secretário-Geral terá primeiro de obter luz verde do Conselho de Segurança da ONU, onde os Estados Unidos, a China, a Rússia, o Reino Unido e a França têm direito de veto. Este passo decisivo limita efetivamente o âmbito das reuniões desta semana. As deliberações do Conselho de Segurança deverão ter início no final de julho, antes de uma votação pela Assembleia Geral, provavelmente no outono.

O que está em jogo é muito importante, tendo em conta o momento de tensão em que se encontra a ONU. 

Uma proliferação de conflitos, a paralisia do Conselho de Segurança, dificuldades financeiras... A organização, liderada desde 2017 pelo português António Guterres, vê a sua influência ser regularmente posta em causa na cena internacional. 

A Franceinfo apresenta os quatro candidatos à sua sucessão nos próximos cinco anos.
Michelle Bachelet, 74 anos, a experiente antiga chefe de Estado do Chile
Michael M. Santiago / Getty Images via AFP

Antiga Presidente do Chile por duas vezes e antiga Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet é, sem dúvida, a mais famosa das candidatas. A carreira internacional e a longevidade política são cartas a favor.

Michelle Bachelet defende a ideia de um Secretário-Geral "presente no terreno", capaz de ser "a voz da moralidade" e de "dizer o que pensa" perante as grandes potências

Michelle Bachelet espera também que "o mundo esteja pronto" para confiar pela primeira vez este cargo a uma mulher. Mas a candidatura já está a provocar resistências, nomeadamente nos Estados Unidos, onde alguns políticos republicanos criticam a sua posição em defesa do direito ao aborto.
Rebeca Grynspan, 70 anos, a negociadora que quer uma ONU menos cautelosa
Spencer Platt / Getty Images via AF

Antiga vice-presidente da Costa Rica, Rebeca Grynspan dirige atualmente a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (CNUCED). A sua reputação foi reconhecida em negociações internacionais, nomeadamente sobre a exportação de cereais ucranianos após a invasão russa.

Perante os Estados-Membros, adoptou um tom mais direto do que os concorrentes. O Secretário-Geral "tem de correr riscos", afirmou, denunciando uma organização que se tornou "conservadora". Defendeu uma ONU mais ativa na mediação, incluindo em questões sensíveis como a Faixa de Gaza, onde apelou a uma ajuda humanitária "sem entraves" e apoiou uma solução a longo prazo em que "Israel e a Palestina vivam em paz e segurança".Rafael Grossi, 65 anos, o diplomata nuclear que já trabalhou em crises internacionais Como chefe da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) desde 2019, sob a égide da ONU, este diplomata argentino desempenha um papel fundamental numa série de questões importantes, incluindo o programa nuclear do Irão e as centrais nucleares da Ucrânia ameaçadas pela guerra, como a de Zaporijjia.

Também ele sublinhou a necessidade de o Secretário-Geral da ONU ser mais ativo no terreno. Afirmou estar disposto a ser não apenas uma voz diplomática, mas "parte da solução", marcando uma rutura com a ONU, que é por vezes considerada demasiado retrógrada face aos conflitos. Macky Sall, 64 anos, antigo Presidente do Senegal aposta num equilíbrio entre paz e desenvolvimento
Spencer Platt / Getty Images via AFP

Antigo Presidente do Senegal de 2012 a 2024, Macky Sall é o único candidato que não é originário da América Latina. A sua candidatura, apresentada pelo Burundi, não é, no entanto, unanimemente apoiada no seio da União Africana.

Defende uma visão global que associa estreitamente a paz e o desenvolvimento. Apelou a uma "reinvenção" do papel da ONU, para que esta "recupere o seu lugar à mesa de negociações mundiais". Falou também da "tragédia humana" do conflito israelo-palestiniano, mas manteve-se cauteloso quanto a soluções concretas.

Lamis Djemil / 27 abril 2026 04:58 GMT+1

Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa - RTP




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