Milhares de manifestantes denunciam alegada fraude nas presidenciais do Peru

Milhares de manifestantes denunciam alegada fraude nas presidenciais do Peru

Pelo menos três mil pessoas manifestaram-se na capital do Peru, respondendo ao apelo do candidato ultraconservador Rafael López Aliaga, para denunciar alegadas fraudes na eleição presidencial de 13 de abril.

Lusa /
Alessandro Cinque - Reuters

"Não à fraude, respeito pelo voto!", gritavam no domingo os manifestantes com faixas e cartazes, reunidos numa avenida de Lima, junto ao Gabinete Nacional de Processos Eleitorais (ONPE, na sigla em castelhano), responsável pela organização do escrutínio.

Uma semana depois da primeira volta, marcada por problemas na entrega do material eleitoral, as identidades dos dois candidatos que avançaram para a segunda volta são ainda desconhecidas.

Os resultados definitivos das eleições só deverão ser conhecidos em meados de maio, devido à lentidão na contagem e verificação de milhares de boletins de voto contestados, admitiu no sábado uma responsável eleitoral.

"Estas eleições são fraudulentas, mas eles não querem admitir, e nós vamos lutar pelos nossos votos", disse Edith Valverde, de 64 anos, à agência de notícias France-Presse.

Com 93,5% dos votos apurados, a candidata de direita Keiko Fujimori lidera os resultados provisórios, com 17,05%, posicionando-se como favorita para a segunda volta.

Na disputa pelo segundo lugar, o candidato de esquerda radical Roberto Sánchez, com 12%, e o ultraconservador Rafael López Aliaga, com 11,92%, mantêm-se praticamente empatados, separados por cerca de 13.600 votos.

López Aliaga, antigo presidente da câmara de Lima, é o mais crítico da eleição, exigindo a anulação do escrutínio e oferecendo mesmo uma recompensa de 5.800 dólares (mais de 4.900 euros) a quem divulgue qualquer prova de irregularidades.

"Meus amigos, estão a roubar o nosso país. O que estamos a viver foi planeado. Nunca vimos nada assim na história do Peru", declarou o organizador do protesto de domingo.

López Aliaga alegou, sem apresentar provas, que um milhão de pessoas não puderem votar em 12 de 13 e abril e exigiu a convocação de eleições suplementares antes de 03 de maio.

Uma missão de observadores da União Europeia afirmou não ter encontrado provas que corroborassem as alegações de fraude.

"Discordamos da contagem dos votos porque há muitas irregularidades", afirmou Victor Suarez, um manifestante de 40 anos.

As eleições de 12 de abril ficaram marcadas por problemas logísticos na distribuição de urnas e boletins, o que atrasou a abertura de várias mesas de voto, especialmente em Lima.

Perante estas dificuldades, as autoridades prolongaram a votação até segunda-feira para mais de 50 mil eleitores afetados pelo encerramento de 13 mesas de voto.

Entretanto, procuradores e forças policiais intervieram nas instalações do ONPE. O chefe do organismo, Piero Corvetto, foi denunciado, juntamente com outros funcionários, por alegados crimes relacionados com o processo eleitoral.

 

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