Milhares de pessoas acolheram Bento XVI em ambiente de festa à chegada a Luanda
Luanda, 20 Mar (Lusa) - Dezenas de milhar de pessoas ajudaram hoje a compor um ambiente de festa à chegada do Papa Bento XVI a Luanda, para uma visita de quatro dias.
O avião que trouxe Bento XVI, um Boeing 777, da Alitalia, aterrou no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro às 12:38 locais (11:38 de Lisboa).
Bento XVI recebeu cumprimentos à chegada do Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos, e da mulher, Ana Paula dos Santos, e dirigiu-se depois para o local da fotografia oficial, onde escutou os hinos de Angola e do Vaticano.
O Papa foi ovacionado pelas pessoas que se encontram na varanda do aeroporto e na placa, onde se encontram vários membros da Igreja assim como elementos do Governo, e passou revista aos militares das Forças Armadas Angolanas presentes no local.
Bento XVI e José Eduardo dos Santos discursaram em seguida, tendo o papa apelado à pacificação e afirmado que os angolanos "não se devem render à lei dos mais fortes", e à união de esforços da sociedade civil e Governo no combate à pobreza.
"Infelizmente, dentro das vossas fronteiras angolanas ainda há tantos pobres que reclamam pelo respeito dos seus direitos. Não se pode esquecer a multidão de angolanos que vive abaixo da linha de pobreza", disse o Papa.
Bento XVI, após o discurso de boas vindas do Presidente José Eduardo dos Santos, disse que é preciso a participação de todos no auxílio aos mais desfavorecidos.
"É necessário envolver a sociedade civil angolana inteira, mais forte e articulada e em diálogo com o Governo para dar vida a uma sociedade atenta ao bem comum", defendeu.
No discurso de boas-vindas, José Eduardo dos Santos agradeceu a intervenção da Igreja na conquista da paz.
O Presidente angolano destacou que, depois da conquista da paz, a reconstrução de Angola passa "necessariamente pela revitalização do homem angolano na sua plenitude", tornando-o "o ponto de partida e de chegada de toda a actividade social" que tenha por objectivo a satisfação "justa e legítima" das suas necessidades materiais e espirituais.
"Hoje já são visíveis os sinais da reconstrução de Angola e podemos dizer que os benefícios da paz já se fazem sentir em maior ou menor grau na vida de cada cidadão, mas isso é apenas o começo, porque sabemos que ainda há um longo caminho a percorrer para construirmos o bem-estar para todos", disse José Eduardo dos Santos.
À saída do aeroporto, a multidão que se estendia desde o local até à porta da Nunciatura Apostólica, em Luanda, cerca de três quilómetros, comoveu o Papa Bento XVI que, antes de chegar à sua residência oficial, mandou baixar as vidraças do Papamóvel.
Muitas artérias da capital angolana foram temporariamente cortadas ao trânsito nos vários pontos de passagem do papa, situação que se vai manter ao longo dos quatro dias da visita papal.
O governo decretou tolerância de ponto para tentar evitar que o permanente e caótico trânsito de Luanda perturbe a circulação da comitiva de Bento XVI.
No total, foram destacados mais de 10 mil agentes da polícia para garantir a segurança e ordem públicas.
O programa de Bento XVI em Angola prossegue hoje à tarde com uma visita de cortesia a José Eduardo dos Santos, seguindo-se depois um encontro com as autoridades políticas e civis e com o Corpo Diplomático, no Palácio Presidencial de Luanda, na Cidade Alta.
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