Milhares de pessoas prestam última homenagem a Rosa Parks em Detroit
Milhares de pessoas e numerosas personalidades prestaram hoje uma última homenagem a Rosa Parks, pioneira da luta pelos direitos dos negros nos Estados Unidos, durante as cerimónias fúnebres em Detroit (Norte).
O funeral de Rosa Parks, que morreu a 24 de Outubro com 92 anos, foi antecedido de mais de uma semana de recolhimento no Alabama (sul), em Washington e Detroit, a sua cidade de adopção.
Cerca de 4.000 fiéis assistiram à cerimónia fúnebre e às homilias, uma das quais proferida pelo pastor negro Jesse Jackson, no templo Greater Grace, uma igreja episcopal metodista.
Entre as várias personalidades presentes na cerimonia, destaque para os ex-Presidentes Bill Clinton e Jimmy Carter, a senadora do Estado de Nova Iorque Hillary Clinton, o senador democrata John Kerry, Winnie Madikizela-Mandela, ex-mulher do antigo Presidente sul-africano Nelson Mandela e heróis da luta contra o Apartheid.
"Rosa Parks fez brotar o movimento social mais importante da história norte-americana", disse Bill Clinton, sublinhando: "jamais esqueceremos que, com uma atitude única e uma vida exemplar, nos mostra a cada dia o que significa ser livre".
Rosa Parks ousou há 50 anos enfrentar as leis raciais no Alabama, ao recusar ceder o seu lugar num autocarro a um branco.
Ela "mostrou-nos e fez-nos aceitar a necessidade de todos à liberdade", acrescentou.
Também Louis Farrakhan, responsável do movimento muçulmano negro norte-americano "Nação do Islão", assistiu à cerimónia, transmitida em directo pela televisão e na qual Aretha Franklin interpretou uma canção.
No exterior do templo, centenas de pessoas estiveram ao frio desde a manhã para assistirem à chegada do cortejo fúnebre, com a participação de cantores de gospel.
Gertrude Smith, uma negra norte-americana de 49 anos, explicou a sua presença no local "para testemunhar o seu respeito, não somente por Rosa Parks mas pelo que ela representa, não só em Detroit, mas no mundo inteiro".
"A maioria de nós não estaria aqui se não tivesse havido pessoas como ela", sublinhou Dossie Hunter, de 74 anos.
O impacto de Rosa Parks na sociedade norte-americana é proporcional à homenagem que recebeu nos últimos dias, em que mais de 60.000 pessoas desfilaram frente ao seu caixão.
Em Washington, aquela que foi considerada como um ícone pelos negros norte-americanos, recebeu a distinção máxima: entre domingo à noite e segunda-feira de manhã o seu caixão foi exposto no Congresso, privilégio concedido unicamente aos homens de Estado.
Domingo, o Presidente, George W. Bush, ordenou que as bandeiras dos Estados Unidos fossem colocadas a meia haste até às cerimónias fúnebres de Rosa Parks.