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Ministério Público venezuelano acusa oposição de realizar eleições primárias "ilegais"

Ministério Público venezuelano acusa oposição de realizar eleições primárias "ilegais"

O Ministério Público da Venezuela está a investigar a presidente e a vice-presidente da Comissão Nacional de Primárias, Jesús Maria Casal e Mildred Camero, por "ilegalidades" nas eleições primárias da oposição no domingo, incluindo usurpação de funções eleitorais e da identidade dos eleitores.

Lusa /

O anúncio foi feito em Caracas pelo procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, numa conferência de imprensa em Caracas, em que disse existirem irregularidades nas eleições em que Maria Corina Machado foi eleita a candidata da oposição contra o Presidente Nicolás Maduro nas eleições de 2024.

O procurador acusou a oposição de se ter substituído ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE), o único organismo que constitucionalmente pode permitir, organizar e inclusive ajudar as organizações políticas, sindicatos e centros de estudantes a organizar eleições e eleger representantes.

O procurador adiantou que a estimativa de um membro da Comissão Nacional de Primárias é de que teriam votado 520.000 pessoas e que a oposição optou por uma caixa de cartão, em vez do sistema automatizado do CNE.

"Usurparam as funções do CNE, que, recorde-se, estava plenamente convocado e havia consenso de que deveria organizar as eleições primárias, e usurparam a identidade, na medida em que utilizaram os nomes, apelidos e bilhetes de identidade de milhares de pessoas que não assistiram a este ato eleitoral (...) para inflacionar os números", disse.

Segundo Saab, a oposição é ainda investigada por "legitimação de capitais, porque nunca se soube de onde vieram os fundos, quem os outorgou, (nem) onde estão os livros que referiam passo a passo a entrada de capitais para levar a cabo este ato eleitoral totalmente à margem da lei".

"E, obviamente, associação para cometer crimes, porque várias pessoas, grupos, se associaram para cometer esses crimes", frisou.

A investigação do Ministério Público da Venezuela tem lugar depois o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, a sua mulher Cília Flores, o vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, o partido do Governo), Diosdado Cabello, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez e o deputado dissidente da oposição José Brito, instarem as autoridades a investigarem uma alegada "fraude" nas primárias opositoras.

A antiga deputada Maria Corina Machado obteve 92,4% dos votos, com 91,3% das mesas já contabilizadas, nas primárias da oposição para eleger o candidato que disputará com Nicolás Maduro as presidenciais de 2024 na Venezuela.

De acordo com o mais recente boletim da Comissão Nacional das Primárias (CNP), divulgado na terça-feira, a engenheira industrial, que era tida como favorita nas primárias da oposição, tem mais de 2,25 milhões de votos.

Em segundo lugar, mas com apenas 112.523 votos, 4,6% do total, segue o também antigo deputado Carlos Prosperi. Nenhum dos outros oito candidatos conseguiu atingir sequer 0,7%, incluindo a juíza independente luso-venezuelana Glória Pinho (0,12%).

Neste terceiro balanço, a CNP disse que contabilizou mais de 2,4 milhões de pessoas que participaram nas primárias, incluindo quase 133 mil fora da Venezuela.

O início da divulgação dos resultados preliminares sofreu na segunda-feira um atraso, que o CNP atribuiu a um bloqueio dos servidores, lamentou o presidente deste órgão, Jesús María Casal.

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