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Ministra do Ambiente e Energia admite pedir indemnização a Espanha pelo apagão de há um ano
Em entrevista ao jornal espanhol El Mundo, Maria da Graça Carvalho diz que aguarda pela posição do regulador português para tomar uma posição: "Veremos".
A ministra portuguesa acredita que o relatório de peritos europeus abre a possibilidade de processos judiciais contra Espanha."Este relatório pode oferecer essa possibilidade. É por isso que ter este relatório era essencial. Agora cabe às empresas decidir o que vão fazer”, diz Maria da Graça Carvalho ao El Mundo.
Quanto a uma maior interligação com França, diz que ainda não perdeu a esperança, afirmando que nesse caso a situação poderia ter sido diferente. "É difícil dizer, mas sim, a recuperação teria sido mais rápida", admite a ministra, entrevistada pelo jornal espanhol através de video-conferência um ano depois do apagão que deixou a Península Ibérica sem energia.
Além disso, o Governo português aguarda uma posição do regulador (ERSE) à luz das informações contidas no relatório do painel de peritos da ENTSO-E (Rede Europeia de Operadores de Redes de Transporte de eletricidade). "Terão de decidir se consideram o apagão um evento excecional ou não, e depois veremos”, diz Maria da Graça Carvalho que se mostra aliviada com as conclusões dos peritos da rede europeia.
Para a ministra, o relatório da ENTZO-E indica que "houve problemas técnicos numa zona da Andaluzia e que estes se propagaram a Portugal. Também identifica alguns desses problemas técnicos. O principal foi o controlo da tensão, uma vez que nem todas as centrais elétricas possuíam este sistema de controlo. Para nós, para mim, isto é suficiente, porque era importante saber se tinha havido algum problema na zona de Portugal, e não houve", sublinha Maria da Graça Carvalho.
Questionada se tem agora mais confiança na rede elétrica de Espanha, a ministra responde "sim" e acrescenta que "Espanha fez progressos" na sequência do apagão, tal como Portugal. "Tanto Espanha como Portugal adotaram uma abordagem mais conservadora desde o apagão, e Espanha está também a realizar uma série de melhorias na rede e no controlo da tensão. Tudo isto é resultado das lições aprendidas com o apagão", garante.
Oportunidade para falar também da delicada situação da central nuclear de Almaraz. A Ministra do ambiente deixa claro que não se opõe ao prolongamento da vida da central nuclear, apesar da proximidade com Portugal. "É certo que, do ponto de vista ambiental, a central é bastante antiga, e é mais tranquilizador para Portugal não ter uma central tão antiga por perto. Mas também penso que, para um país com estabilidade sísmica como Espanha, pode valer a pena continuar com a energia nuclear, dada a crise mundial". Maria da Graça Carvalho acrescenta que a decisão é do governo espanhol e, se for no sentido de manter a central funcionamento, o importante é "modernizar e investir para garantir que tudo é seguro", conclui a ministra do Ambiente e Energia.