Ministra do Ambiente espera negociações mais fáceis na COP31 por causa da guerra

Ministra do Ambiente espera negociações mais fáceis na COP31 por causa da guerra

A ministra do Ambiente espera negociações facilitadas na próxima cimeira da ONU sobre o clima devido ao impacto da guerra no Médio Oriente e salientou as boas relações diplomáticas de Portugal para fazer pontes nas conversações.

Lusa /

"Posso estar enganada, mas espero que as negociações sobre o clima [na COP31], devido à guerra, sejam mais fáceis, porque todos compreenderam que é importante sermos mais independentes dos combustíveis fósseis", afirmou Maria Graça Carvalho.

Numa conferência de imprensa na sede do Governo, em Lisboa, ao lado do comissário europeu para o Clima, Neutralidade Carbónica e Crescimento Limpo, o neerlandês Wopke Hoekstra, Maria Graça Carvalho disse encontrar essa perspetiva em Portugal, incluindo entre os mais céticos.

"Mesmo aqueles que estavam mais relutantes em aceitar, agora estão convencidos de que este é o caminho a seguir", afirmou.

O comissário europeu está no último de dois dias de visita a Portugal para debater com representantes do Governo e da indústria a transição para as energias limpas e a competitividade na União Europeia (UE).

O encontro de hoje com a ministra do Ambiente serviu para falar da "situação de Portugal em termos de energia e de alterações climáticas", do esforço para diminuir a "dependência de combustíveis fósseis" e para falar na aposta nas energias renováveis, disse Maria Graça Carvalho.

Questionada sobre as negociações da próxima reunião da Organização Nações Unidas (ONU) sobre o clima, COP31, que se realiza em novembro em Antalya, Turquia, Maria Graça Carvalho salientou as "relações muito boas a nível mundial" de Portugal com outros participantes, "especialmente com os países de língua portuguesa", como o Brasil, Angola, Cabo Verde, e São Tomé e Príncipe.

Segundo a ministra, Portugal pode ter um papel "nos bastidores" para ajudar a Comissão Europeia a saber qual o posicionamento de determinados países, lembrando que foi isso que aconteceu em Roma, na 16.ª reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica, COP16.

"Foi mais fácil para nós realizar reuniões informais com o Brasil e Angola, para compreender exatamente como é que as linhas vermelhas poderiam ser ultrapassadas, e ajudar a Comissão a chegar a um acordo", recordou.

O comissário europeu defendeu a necessidade de a Europa ganhar autonomia do ponto de vista energético, apostando em "mais energia solar, mais eólica, mais geotérmica, mais bombas de calor, mais interligações, mais investimentos ecológicos e, para quem gostar, mais investimentos na energia nuclear".

Questionado sobre o modelo dos créditos de carbono, o comissário afirmou que "tem funcionado extraordinariamente bem".

"Se há algo que ficou bem claro é que vários governos, incluindo o português, e literalmente centenas de empresas, manifestaram o seu apoio" a este sistema, disse.

Ainda assim, o modelo vai ser revisto, uma vez que há "oportunidades para o melhorar ainda mais, por exemplo, para garantir que uma maior parte do dinheiro gerado pelo sistema reverte para as indústrias, a fim de as ajudar a descarbonizarem-se ainda mais", adiantou.

A Comissão Europeia tem neste momento em consulta pública, até 08 de junho de 2026, uma proposta para atualizar os valores dos parâmetros de referência do Sistema de Comércio de Licenças de Emissão da União Europeia (CELE) para 2026-2030,

Segundo a iniciativa que servirá de referência para Bruxelas definir os valores de referência dos créditos de carbono para os próximos anos, a indústria europeia continuará, em média, a receber licenças de emissão gratuitas que cobrem cerca de 75% das suas emissões.

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