Ministra taiwanesa realiza rara visita a ilha disputada durante manobras
A ministra com a tutela da Guarda Costeira de Taiwan visitou recentemente a disputada ilha de Taiping, no mar do sul da China, onde assistiu a manobras, incluindo a interceção de uma embarcação.
Num comunicado divulgado na quarta-feira à noite, a Administração da Guarda Costeira de Taiwan indicou que Kuan Bi-ling, que lidera o Conselho de Assuntos Oceânicos, se deslocou à ilha na terça-feira para supervisionar um exercício de "resgate humanitário, evacuação médica e descontaminação marinha".
O ensaio simulou a deteção de um "navio de carga suspeito" que não respondia a chamadas, levando ao destacamento de uma patrulheira de 100 toneladas estacionada na ilha para proceder à inspeção.
"Com o objetivo de salvaguardar os direitos e interesses nacionais e a segurança do Estado, o navio foi escoltado de regresso à ilha de Taiping para uma investigação posterior", indicou a Guarda Costeira.
Imagens divulgadas pela própria autoridade mostram um grupo de forças especiais, vestidas de negro e fortemente armadas com espingardas e pistolas, a entrar na sala de controlo da embarcação.
Segundo a agência de notícias taiwanesa Central News Agency (CNA), a presença de Kuan marca a primeira visita em sete anos de um alto responsável governamental taiwanês à ilha de Taiping, também conhecida como Itu Aba e controlada por Taipé desde 1946.
Em julho de 2016, o Tribunal Permanente de Arbitragem, que tem sede em Haia, nos Países Baixos, decidiu que Taiping é uma rocha e não uma ilha, negando a possibilidade de gerar uma zona económica exclusiva de 200 milhas náuticas em seu redor.
A decisão, rejeitada tanto por Taipé como por Pequim, não abordou a questão da soberania, reivindicada por Taiwan, mas também por China, Filipinas e Vietname.
Um grupo de deputados da oposição taiwanesa visitou Taiping em maio de 2024 para reafirmar a soberania de Taipé sobre o território e instar o então presidente eleito, William Lai Ching-te, a fazer o mesmo no discurso de tomada de posse.
Ao contrário dos ex-presidentes Chen Shui-bian (2000-2008) e Ma Ying-jeou (2008-2016), Tsai Ing-wen (2016-2024) concluiu os oito anos de mandato, em 2024, sem visitar a ilha disputada, em parte para evitar tensões com outros países.
Brunei, China, Filipinas, Malásia, Taiwan e Vietname reivindicam total ou parcialmente mais de uma centena de ilhas e atóis no mar do Sul da China, uma zona rica em reservas submarinas de petróleo e gás, importantes áreas de pesca e uma das principais rotas marítimas do mundo.