Ministro da Defesa de Taiwan denuncia patrulhas chinesas como ato de provocação
O ministro da Defesa de Taiwan, Wellington Koo, afirmou hoje que a intensificação das patrulhas marítimas chinesas em águas a leste da ilha constitui um "ato de provocação" e de "guerra cognitiva".
Em declarações citadas pela agência de notícias CNA, Koo afirmou que, ao declarar as águas orientais da ilha como uma "zona de aplicação da lei", a China causa um "grave prejuízo" à "soberania nacional" de Taiwan, território autogovernado que Pequim considera parte inalienável do seu território.
O responsável acrescentou que o ministério da Defesa e a Administração da Guarda Costeira (CGA) vão partilhar informações de inteligência "de forma estreita" e coordenar "minuciosamente" a divisão de tarefas para "salvaguardar permanentemente a soberania nacional e a segurança marítima".
As declarações surgem dois dias depois de o Governo chinês ter lançado uma "operação especial de controlo marítimo" em águas situadas a leste de Taiwan, em resposta ao início das negociações entre o Japão e as Filipinas para delimitar as respetivas zonas económicas exclusivas e plataformas continentais naquela região.
Segundo Pequim, a operação visa exercer plenamente a "jurisdição administrativa de controlo marítimo" da China na área, reforçar as capacidades de patrulhamento em águas profundas e de controlo do tráfego em "zonas marítimas estratégicas", garantir a segurança da navegação e "salvaguardar os interesses nacionais".
Num comunicado divulgado no domingo, a CGA de Taiwan sublinhou que a China "não possui qualquer direito soberano sobre as águas situadas a leste de Taiwan" e que a sua atuação viola o direito internacional.
A autoridade marítima taiwanesa indicou que quatro embarcações chinesas -- o "Haixun 06", o "Haixun 08", o "Haixun 09" e o "Donghaijiu 113" -- entraram em "águas restritas" a sudoeste do cabo Eluanbi, no extremo sul de Taiwan, cerca das 14:05 (07:05 em Lisboa) de domingo.
Segundo a versão taiwanesa, os navios foram acompanhados por embarcações da Guarda Costeira de Taiwan e os dois lados envolveram-se numa troca verbal sobre a soberania das águas em questão.
"Ambos os lados do Estreito pertencem a uma só China; estas são águas sob jurisdição chinesa; a nossa flotilha de aplicação da lei marítima está a executar uma missão especial de controlo do tráfego marítimo; não interfiram com as nossas funções", afirmaram os guardas costeiros chineses, segundo a transcrição divulgada por Taiwan.
Os seus homólogos taiwaneses responderam: "A China não possui qualquer direito soberano sobre as águas situadas a leste de Taiwan. Entraram nas nossas águas sem autorização, violando o direito internacional e afetando a ordem e a segurança das nossas águas. Alterem imediatamente o rumo e abandonem as nossas águas o mais rapidamente possível".
Após várias horas de impasse, os quatro navios chineses abandonaram as águas reivindicadas por Taiwan pelas 03:20 de hoje (20:20 de domingo, em Lisboa), segundo a CGA.
A autoridade prometeu adotar "todos os meios necessários" para "salvaguardar plenamente a soberania nacional e a segurança das águas" sob controlo de Taipé.