Ministro da Saúde refuta indicadores internacionais sobre o país - entrevista
Luanda, 17 Out (Lusa) - O ministro da Saúde angolano, José Van-Dúnem, afirmou em entrevista à Agência Lusa que os dados apresentados pelas organizações internacionais sobre a saúde angolana "não correspondem à realidade".
José Van-Dúnem admite os actuais baixos indicadores da qualidade da saúde em Angola são "muito preocupantes" mas frisou que estão "desactualizados face aos esforços dos últimos anos feitos pelo Governo".
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento coloca Angola no 162º lugar.
"Se se tiver em atenção os esforços feitos com as várias campanhas de vacinação, assim como o aumento da oferta de serviços para responder às principais causas de doenças e de mortes, particularmente nas crianças e nas mulheres, esses números (das organizações internacionais) não correspondem à verdade", notou.
Nos indicadores de diversas intituições internacionais, como a Organização Mundial de Saúde, Angola surge colocada nos últimos lugares em matérias como a mortalidade infantil ou incidência de doenças curáveis.
"Esses números decorrem do facto de não ter sido feita a actualização de dados e baseiam-se no último inquérito de indicadores múltiplos de 2001, numa altura que o país estava em guerra, e não têm em conta os esforços feitos de então para cá", disse.
O ministro lembra, como exemplo, a contratação de mais de 100 médicos cubanos para trabalhar na periferia de Luanda, cidade com a maior concentração demográfica do país, e desprovida de unidades de atenção primária na altura em que foram recolhidos os dados que ainda hoje servem de referência para algumas organizações.
Por isso, o titular da pasta da Saúde considera não serem "racionais nem previsíveis" as estimativas internacionais, acrescentando que a situação do sector está a inverter-se, requerendo a realização do censo populacional, que já está a ser preparado pelo Governo de Luanda, sendo que o último teve lugar em 1970.
O ministro defendeu ainda que o elevado índice de mortalidade materna em Angola tem origem no "parto inseguro", apontando como solução a criação de condições para que equipas de enfermeiros, supervisionadas por médicos, possam ser alargadas no país.
Quanto à mortalidade infantil lembrou que o que mais mata as crianças em Angola são as diarreias associadas à falta de água potável. Para combater este problema José Van-Dúnem recorda que foram criados nas escolas programas de desparasitação, em parceria com o Ministério da Educação.
Uma das grandes preocupações do sector relaciona-se com os recursos humanos onde "não existe capacidade" de resposta na "velocidade e quantidade" necessárias, afirmou o ministro.
Angola dispunha até há pouco tempo de apenas uma faculdade de medicina a funcionar em Luanda. Actualmente, com a de Cabinda e outra em Benguela, são três. As previsões apontam que até 2009 serão criadas mais três faculdades: na Huíla, em Malange e no Huambo.
Relativamente à resistência dos quadros angolanos que trabalham ou se encontram em formação no estrangeiro para regressarem ao país, o ministro anunciou que o Governo aposta na melhoria das condições de trabalho, garantindo que os salários em Angola, que, no passado eram "maus", agora são "atractivos".
José Van-Dúnem frisou que será dada uma "atenção especial" aos recursos humanos para que, até 2015, se possam atingir as metas do Desenvolvimento do Milénio assumidas pelo país.
As metas do Desenvolvimento do Milénio, no domínio da saúde, definem ainda a preocupação relacionada com a redução da mortalidade infantil, materna e do peso das doenças como a malária, a tuberculose e o VIH/Sida.
HSO/RB.