Ministro do Ambiente defende que aldeias ribeirinhas poderão ter de se mudar

Ministro do Ambiente defende que aldeias ribeirinhas poderão ter de se mudar

João Matos Fernandes, em declarações ao Jornal 2, disse na segunda-feira que as aldeias ribeirinhas do Baixo Mondego poderão ter de se mudar e que a manutenção feita nos diques foi o que evitou uma tragédia ainda maior. A Quercus deixa críticas.

RTP /
João Matos Fernandes disse que aldeias ribeirinhas têm de pensar em mudança José Coelho - Lusa

Depois das cheias no Baixo Mondego que obrigaram os moradores a serem evacuados, o Ministro do Ambiente elogiou a manutenção feita aos diques na zona e que algumas das aldeias ribeirinhas terão de se adaptar e mudar.

"Vamos ter de nos adaptar aos recursos que temos. Aldeias têm de saber que estão numa zona de risco. Paulatinamente, as aldeias vão ter que ir pensando em mudar de sítio porque não esperemos que esta capacidade que temos possa vir a crescer. Isso é o contrário da adaptação", declarou João Matos Fernandes.

O ministro do Ambiente elogiou a obra feita nos diques, que data dos anos 70, e defendeu que a manutenção que tem sido feita permitiu que a tragédia no Baixo Mondego não fosse tão grande, já que os diques aguentaram uma pressão de água superior ao que devia.

"Se nos aguentámos razoalvemente foi precisamente porque tivemos todo este trabalho de manutenção e ultrapassados os limites do projeto, houve rupturas em dois pontos, o que lamentamos mas que seriam inevitáveis.
"Tarefa quase impossível"

O autarca de Montemor-o-Velho explicou, em declarações à RTP, que a perspetiva dada pelo ministro do Ambiente pode ser encarada mas que será muito difícil retirar as pessoas dos locais onde vivem.

"Na prática, é muito difícil tirar as pessoas das suas residências quanto mais mudar as pessoas do seu local habitual".

Emílio Torrão lembrou que estas pessoas que vivem no Baixo Mondego já têm "uma cultura de cheia" e que estão habituadas a viver com este fenómenos de cheias e que o problema reside no agravamento destas situações devido às alterações climáticas.

Para o autarca, a mudança é "uma via de pensamento mas não é aquela que está no imediato na ordem do dia, porquanto, é uma tarefa quase impossível", concluiu Emílio Torrão.
Quercus deixa críticas à manutenção

Apesar da garantia por parte do ministro do ambiente que manutenção dos diques tem sido realizada com frequência, a Quercus deixou críticas a mesma e à gestão feita na bacia do Mondego. Para a associação, os trabalhos de desassoreamento de 2018 foram uma das causas para o colapso dos diques.

A Quercus diz que as areias foram mal colocadas e que com a movimentação das águas teve um efeito abrasivo e erosivo sobre os diques.

"Não ponho em dúvida que tenha havido manutenção, agora que a manutenção não foi suficiente, não foi. Porque uma obra que tem 40 anos não devia ceder desta maneira".
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