Missão da União Europeia capacita militares moçambicanos sobre munições
A Missão de Assistência Militar da União Europeia em Moçambique (EUMAM-MOZ) está a capacitar as forças moçambicanas sobre munições, para reforçar conhecimentos e procedimentos de gestão segura e eficaz de material bélico, foi hoje anunciado.
Em comunicado, a missão refere que está a orientar o Curso Teórico Básico de Munições (TBAC) a militares das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), conduzido por dois militares da Escola de Logística das Forças Armadas Austríacas.
Esta capacitação decorre na Escola de Condução Militar de Maputo e visa reforçar os conhecimentos e procedimentos relacionados com a gestão segura e eficaz de armas e munições, explica a EUMAM-MOZ, liderada por Portugal.
"Esta formação especializada contribui para o desenvolvimento de capacidades essenciais no domínio do Apoio de Serviço de Combate, apoiando o reforço das competências técnicas e operacionais das FADM", indica ainda.
A Missão de Assistência Militar da União Europeia em Moçambique, financiada pela UE, de treino e apoio às FADM, focado na capacitação das Forças de Reação Rápida (QRF) para combater a insegurança em Cabo Delgado, tem fim previsto para junho próximo.
Na quarta-feira, o Presidente moçambicano assumiu que espera renovar as missões de apoiam Moçambique no combate ao terrorismo em Cabo Delgado, nomeadamente o do Ruanda, que já admitiu retirar o seu contingente, e de assistência da União Europeia (UE), sublinhando que ainda estão "em dia".
"Queria deixar claro que nós, neste momento, estamos com as missões em dia. Ainda não chegámos a maio [fim do ciclo de financiamento à missão do Ruanda] e ainda não chegámos a junho [fim do mandato missão de assistência da UE]. Então, (...) o que eu lhe posso dizer é que, neste momento, tanto uma missão como a outra continuam em Moçambique", disse Daniel Chapo, em declarações aos jornalistas, em Bruxelas.
"O conceito de missão é que começa e termina. Portanto, é um período normal e, não tendo terminado, nós continuamos a trabalhar, já que tanto uma missão como outra está em dia, e nós, neste momento, vamos cumprindo, portanto, o período, à espera que no fim da missão (..) haja definição de ambas as partes", acrescentou.
O Presidente moçambicano disse, nas mesmas declarações, não ter nenhuma informação pela parte da UE de comunicação do fim: "Nós estamos a acompanhar para que realmente, tanto por parte da UE como por parte dos países, possamos encontrar formas e soluções de acompanhar o fim sem que haja consequências".
A Comissão Europeia disse na terça-feira estar em "diálogo contínuo" com Moçambique para definir eventuais apoios em termos de "medidas de segurança" em Cabo Delgado, mas frisou que decisões sobre o destacamento ruandês devem ser feitas entre os dois países.
A EUMAM-MOZ está, atualmente, sob comando do comodoro César Manuel Pires Correia, da Marinha portuguesa, e conta com um total de 83 militares de 12 nacionalidades.
A União Europeia anunciou, em 2024, a adaptação dos objetivos estratégicos da anterior Missão de Formação Militar da UE em Moçambique (EUTM-MOZ), que transitou, em 01 de setembro do mesmo ano, do modelo de treino para um de assistência, passando, assim, a designar-se EUMAM-MOZ.
A EUTM-MOZ, que como a atual EUMAM-MOZ foi liderada por Portugal, formou em dois anos mais de 1.700 militares comandos e fuzileiros moçambicanos, que passaram a constituir 11 companhias de Forças de Reação Rápida (QRF, na sigla em inglês) e já combatem o terrorismo em Cabo Delgado, bem como uma centena de formadores.
A missão em Moçambique foi ainda financiada, através do Mecanismo Europeu para a Paz, para aquisição de todo o tipo de equipamento não letal para estas companhias de forças especiais.
A província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.