Missão militar humanitária de Timor-Leste parte quarta-feira para as Filipinas
Os elementos da missão timorense de apoio humanitário e de proteção civil às Filipinas, onde morreram dezenas de pessoas e milhares foram afetadas com a passagem do tufão Kalmaegi, partem quarta e sexta-feira para aquele país.
A missão foi aprovada na passada quinta-feira pelo Governo timorense, em reunião extraordinária do Conselho de Ministros.
"Encontramo-nos num momento verdadeiramente único e histórico. Pela primeira vez, Timor-Leste mobiliza um contingente com esta dimensão, que reúne não apenas as nossas forças de defesa, mas também profissionais dos bombeiros, dos serviços de saúde e do Instituto de Gestão de Equipamentos do Ministério das Obras Públicas", disse hoje o tenente-general Falur Rate Laek, chefe do Estado-Maior General das Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL).
O tenente-general falava na cerimónia de despedida do contingente que decorreu hoje no Estado-maior das forças de defesa timorense.
O contingente é composto por 120 militares das forças de defesa e mais 30 elementos dos bombeiros, serviços de saúde e do Instituto de Gestão de Equipamentos do Ministério das Obras Públicas.
"Esta composição multissetorial demonstra a maturidade institucional do nosso Estado e a nossa capacidade de resposta integrada a emergências humanitárias globais", disse Falur Rate Laek.
Na sua intervenção, o tenente-general destacou que os elementos da missão foram selecionados com "grande rigor" e que levam não só equipamento, mas também a "bandeira sagrada da pátria e a esperança de um povo que superou adversidades inimagináveis para alcançar a sua dignidade".
"Quando pisarem solo filipino, lembrem-se de que não irão apenas como indivíduos, mas como Timor-Leste. Cada gesto, cada palavra, cada ação será observado e interpretado como expressão do caráter da nossa nação. O mundo observará não o que dizemos, mas o que demonstramos através da nossa conduta, da nossa dedicação e do nosso profissionalismo", afirmou o chefe das forças de defesa timorense.
"A solidariedade não é, para nós timorenses, um conceito abstrato. Conhecemos profundamente o valor da ajuda humanitária, porque dela beneficiámos nos momentos mais difíceis da nossa história", salientou.
O tenente-general Falur Rate Laek disse também que a missão humanitária nas Filipinas será o "instrumento através do qual Timor-Leste honra a sua dívida moral de gratidão" e se afirma como uma "nação solidária, responsável e comprometida com os princípios universais de fraternidade entre os povos."
O ministro da Defesa, Pedro Klamar Fuik, apelou aos elementos do contingente para cooperarem com as autoridades filipinas para "assegurar uma resposta rápida e coordenada à situação".
O ministro sublinhou ainda que a missão humanitária de Timor-Leste irá apoiar as autoridades locais e as Forças Armadas das Filipinas, fornecendo a assistência necessária em termos de equipamentos, logística e proteção dos meios de subsistência e das necessidades essenciais da população afetada pelo desastre.
Os membros desta missão deverão permanecer nas Filipinas durante 20 dias, podendo regressar mais cedo caso concluam as tarefas antes do prazo. Se o trabalho se prolongar, a missão poderá ser estendida, mas a autorização inicial do Governo timorense cobre um período de até 28 dias.