Missão portuguesa monta campo para refugiados
A presença portuguesa no Haiti deu ontem mais um importante passo na ajuda humanitária aos milhares de desalojados do sismo que há duas semanas assolou aquele país. A montagem de um campo com capacidade para receber 615 pessoas vai permitir ajudar cerca de 84 famílias e prestar um maior apoio à população circundante.
Depois da Organização Internacional para as Migrações (OIM) ter estimado que o sismo que atingiu o Haiti a 12 de Janeiro fez, pelo menos, 500 000 desalojados, o acampamento português vem juntar-se aos cerca dos 450 acampamentos já existentes só na capital haitiana, Port-au-Prince.
Recorde-se que a missão portuguesa é constituída por uma equipa de comando e coordenação da Autoridade Nacional de Protecção Civil, um grupo do Instituto Nacional de Emergência Médica, para a área de emergência médica e acções de socorrismo e de pequena cirurgia e ainda elementos da Força Especial de Bombeiros mais conhecida por "Canarinhos".
Elementos que têm a seu cargo a montagem, organização e funcionamento do campo que conta ainda com uma representante do Instituto de Medicina Legal, para aspectos relacionados com medicina forense, e uma equipa de cinco elementos da Assistência Médica Internacional.
Portugueses em alerta com tenda suspeita
Preocupação para a missão portuguesa no Haiti tem sido a tenda instalada ao lado do acampamento da equipa humanitária portuguesa e que é ocupada por um grupo de norte-americanos com uma criança haitiana.
No passado sábado a desconfiança que se instalou na missão portuguesa culminou com a responsável pela equipa do INEM, Fátima Rato, e um médico norte-americano do hospital montado junto ao acampamento português, a estranharem a passagem de quatro homens com uma criança haitiana ao colo a altas horas da noite.
Tendo em atenção os alertas lançados pela UNICEF e pelo primeiro-ministro do Haiti sobre o perigo de aumento crescente de tráfico de crianças após o terramoto, os dois médicos foram tentar perceber o que se passava mas pouco conseguiram receber já que o grupo norte-americano não se quis identificar e explicou que a criança em causa era filha adoptada de um deles.
Face a esta situação foi já contactada a UNICEF, organização da ONU, assim como a sua polícia, a MINUSTAH.
A terra voltou a tremer
No Haiti a população continua sem poder descansar já que as réplicas ao sismo do passado dia 12 continuam a surgir em qualquer altura tendo a última voltado a assustar ao atingir a magnitude de 4.7 na escala de Richter.
Não há notícia de mais estragos depois desta réplica, mas a população continua a sentir-se inquieta e a não voltar para as casas, poucas, que ainda se mantém de pé.
Entretanto, equipas de socorristas francesas detectaram sinais de vida debaixo dos escombros, mas adiantam que não podem precisar se é uma pessoa ou um animal.
Já em relação ao número de vítimas o Ministério da Saúde haitiano fez um novo balanço e só em Port-au-Prince o terramoto provocou, até ao momento, 150 mil mortos.