MNE inaugura na ONU exposição com exemplos de sucesso na proteção dos oceanos

MNE inaugura na ONU exposição com exemplos de sucesso na proteção dos oceanos

O ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) inaugurou na segunda-feira na sede da ONU, em Nova Iorque, uma exposição da Fundação Oceano Azul com exemplos concretos de sucessos portugueses em matéria de proteção dos mares e oceanos.

Lusa /
Foto: Fundação Oceano Azul

A inauguração, que antecede a eleição, quarta-feira, de cinco novos membros para o Conselho de Segurança da ONU, na qual Portugal é candidato, reuniu dezenas de diplomatas, que puderam refletir sobre o que significa uma ação significativa em matéria de oceanos, tendo como exemplo casos de sucesso de Portugal.

O ministro Paulo Rangel afirmou que Portugal quer usar esta exposição para reforçar a importância da agenda dos mares e oceanos, sublinhando que questões como a liberdade de navegação, a proteção ambiental, a preservação das espécies, as pescas e o combate ao tráfico de drogas e pessoas são também temas de segurança internacional.

Segundo o líder da diplomacia portuguesa, caso seja eleito para o Conselho de Segurança da ONU, Portugal pretende fazer da segurança marítima uma das prioridades.

"Há um conjunto enorme de questões ligadas aos mares e aos oceanos que são agenda de segurança e, portanto, tem lugar também muitas delas naquelas que são os debates e as decisões do Conselho de Segurança. O que nós queremos dizer é que tudo o que tem a ver com o mar e com a agenda oceânica será algo que Portugal, sendo eleito para o Conselho de Segurança, terá como uma prioridade política", disse, em Nova Iorque.

Rangel destacou ainda o objetivo nacional de proteger 30% das áreas marinhas até 2030, apresentando-o como um exemplo concreto do compromisso português com a sustentabilidade e a governação dos oceanos.

"Aproveitamos para falar aqui deste projeto português, que é o `30x30`, que é ter 30% de áreas protegidas no mar até 2030 e é algo que está perfeitamente ao nosso alcance. Já foi atingido nos Açores, pode ser atingido noutros lados do país, nomeadamente no centro-sul e Madeira e, portanto, quisemos dar esse exemplo prático para demonstrar que, para nós, a agenda da segurança marítima, da segurança dos mares, compreendida de uma forma muito abrangente - ambiental, criminal e também de circulação e navegação - será prioritária", acrescentou.

A exposição, que resulta de uma parceria entre a Missão Permanente de Portugal junto das Nações Unidas e a Fundação Oceano Azul, ficará disponível até ao dia 13 de junho, em Nova Iorque.

Em declarações à Lusa, o diretor adjunto para Assuntos Internacionais da Fundação Oceano Azul, Sérgio Carvalho, explicou que a exposição pretende demonstrar que é possível cumprir a meta global de proteger 30% do oceano até 2030.

Segundo o responsável, a mostra é uma celebração de histórias portuguesas de sucesso, evidenciando aquilo que é possível alcançar quando existe "um alinhamento entre vontade política, ciência e os interesses das comunidades", gerando benefícios tanto para os ecossistemas marinhos como para as populações que dependem do mar.

O objetivo é também inspirar outros países a seguir modelos semelhantes de conservação.

"Queremos também inspirar outros países a olhar para estes exemplos, convencendo-os que é possível, que existem modelos de mudança, que foram testados, que geraram benefícios e, portanto, esperamos que esta exposição possa inspirar outros países a seguir o mesmo caminho e a criar a proteção para o oceano, beneficiando o oceano, mas também as comunidades, um pouco por esse mundo fora", indicou Carvalho.

A exposição está estruturada em torno de duas narrativas interligadas.

A primeira - "Proteger o que Importa" - dá vida ao programa `Blue Azores` e a outras iniciativas de Áreas Marinhas Protegidas (AMP) em Portugal através de fotografias imersivas, mapas e visualizações de dados que traçam o percurso desde a avaliação científica ao envolvimento da comunidade até à designação formal de AMP, transmitindo tanto a importância ecológica do ambiente marinho, quanto a inovação na governação necessária para o proteger.

A segunda - "Capacitar a Próxima Geração" - apresenta perfis de antigos participantes do programa de bolsas `United Nations - Portugal Ocean Fellowship`, colocando rostos e histórias no centro das narrativas.

Portugal concorre ao Conselho de Segurança - um dos órgãos mais importantes das Nações Unidas, cujo mandato é zelar pela manutenção da paz e da segurança internacional e cujas decisões são vinculativas - sob o lema "Prevenção, Parceria, Proteção".

A eleição para membro não permanente para o biénio 2027/2028 está agendada para a próxima quarta-feira.

Portugal tem como adversários diretos a Alemanha e a Áustria, numa disputa pelos dois lugares de membros não permanentes atribuídos ao grupo da Europa Ocidental e Outros Estados.

 

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