Moçambique aguarda por resultados das eleições na Guiné-Bissau para tomar posição
O Presidente moçambicano disse hoje, em entrevista à Lusa, que Moçambique aguarda pela divulgação dos resultados para tomar posição sobre as eleições na Guiné-Bissau, processo que terminou num golpe de Estado.
"Estamos à espera da divulgação de resultados. Porque nós respeitamos a soberania do Estado da Guiné-Bissau, respeitamos também os órgãos eleitorais da Guiné-Bissau e também respeitamos a CEDEAO [Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental], que é o órgão regional que pode também ajudar a tomar decisão", insistiu.
"Estamos, como país, a aguardar que haja divulgação dos resultados. E só depois da divulgação dos resultados é que podemos emitir o nosso posicionamento, mas para um processo que ainda está em curso, que os resultados ainda não estão divulgados, a nossa posição é realmente respeitar o país, Guiné-Bissau, respeitar os órgãos eleitorais locais e também respeitar as decisões do órgão da região", afirmou Chapo.
A candidatura de Fernando Dias, que reclama vitória nas presidenciais na Guiné-Bissau, exigiu em 03 de dezembro à Comissão Nacional de Eleições (CNE) a convocação do órgão para que os resultados eleitorais sejam declarados "o mais rápido possível".
Em comunicado consultado pela Lusa nas redes sociais, a candidatura de Fernando Dias da Costa reagiu ao anúncio feito no dia anterior pela CNE, que se mostrou indisponível para dar continuidade ao processo eleitoral e divulgar os resultados das legislativas e presidenciais de 23 de novembro, devido a alegados atos de vandalismo às suas instalações.
Na voz do seu secretário executivo adjunto, o juiz Idriça Djaló, a CNE anunciou, numa conferência de imprensa, que "tem total impossibilidade de continuar e concluir o processo eleitoral", devido aos alegados atos de vandalismo às suas instalações, aos equipamentos e ao confisco das atas de apuramento regional das eleições.
De acordo com Djaló, os alegados atos teriam sido protagonizados por "homens armados e encapuzados" no dia 26 de novembro, véspera do anúncio dos resultados provisórios.
A candidatura de Fernando Dias da Costa, atualmente exilado na embaixada da Nigéria em Bissau, condena o "posicionamento ilegal" do secretariado executivo da CNE, que acusa de "usurpação de competências" da plenária do órgão que deveria, defende, ter sido convocada a pronunciar-se sobre o processo.
Assim sendo, o candidato exige a convocação da plenária da CNE e a divulgação dos resultados "o mais rápido possível para que se respeite a vontade popular expressa nas urnas".
A Guiné-Bissau está suspensa da CEDEAO, assim como de outra organização regional, a União Africana, consequência do golpe de Estado em 26 de novembro, quando um Alto Comando Militar tomou o poder, destituiu o Presidente, Umaro Sissoco Embaló, que deixou o país, e suspendeu o processo eleitoral.
As eleições gerais, presidenciais e legislativas, tinham decorrido sem incidentes em 23 de novembro e, um dia depois, o candidato da oposição, apoiado pelo histórico partido PAIGC, excluído das eleições, Fernando Dias, reclamou vitória na primeira volta sobre o Presidente Embaló.
Na véspera da divulgação dos resultados oficiais, um tiroteio em Bissau antecedeu a tomada do poder pelo Alto Comando Militar que nomeou o Presidente de transição, o general Horta Inta-A.
O general anunciou que o período de transição terá a duração máxima de um ano e nomeou como primeiro-ministro e ministro das Finanças Ilídio Vieira Té, antigo ministro de Embaló.