Moçambique com mais 450 infetados e três mortos por cólera em quase dois meses
Moçambique registou mais de 450 casos de cólera que provocaram três mortos em quase dois meses, ultrapassando 9.500 infetados e 89 óbitos nesta epidemia, desde setembro, segundo dados oficiais consultados hoje pela Lusa.
No boletim mais recente da Direção Nacional de Saúde Pública (DNSP), com dados acumulados de 03 de setembro de 2025 a 25 de julho de 2026, são registados 9.553 casos de cólera no país, dos quais 3.986 na província de Nampula, onde foram contabilizados 39 mortos. Seguem-se Tete, com 2.974 casos e 33 óbitos, e Cabo Delgado, com 1.137 infetados e oito mortos.
Há ainda registo de 921 infetados e quatro mortos em Sofala, 386 infetados e três mortos em Manica, 146 infetados e dois mortos na Zambézia, além de um caso em Gaza e um na província de Maputo, sem óbitos associados. A cidade de Maputo contabiliza igualmente um caso e nenhum óbito.
No balanço conhecido anteriormente, com dados até 06 de junho, a DNSP contabilizava um acumulado de 9.092 casos de cólera desde setembro, com 86 mortos, mantendo-se a transmissão ativa da doença em 16 distritos, agora reduzida para cinco. No início de 2026, chegaram a ter transmissão ativa de cólera pelo menos 42 distritos, essencialmente no centro e norte.
Atualmente, registam-se menos de uma dezena de novos casos de cólera no país, queda associada ao fim da época das chuvas, em abril, e a taxa de letalidade mantém-se em 0,9%.
No surto de cólera entre 17 de outubro de 2024 e 20 de julho de 2025 foram registados 4.420 infetados, dos quais 3.590 em Nampula, e um total de 64 mortos.
O novo Quadro de Ação Antecipatória das Nações Unidas à cólera em Moçambique prevê financiamentos até 1,7 milhões de euros para intervenções rápidas antes que os surtos se agravem, como o atual, conforme noticiado anteriormente pela Lusa.
O documento foi aprovado em 22 de maio pelas estruturas do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) e estabelece um mecanismo que liga dados epidemiológicos a financiamento imediato, permitindo agir precocemente e evitar crises de maior dimensão.
Acrescenta que a cólera continua a representar uma grave ameaça de saúde pública em Moçambique, com surtos recorrentes associados à falta de acesso a água potável, condições de saneamento deficientes e fenómenos climáticos extremos, como ciclones e inundações.
O novo quadro que antecipa o combate à cólera aprovado pelo OCHA define que a resposta será ativada com base em dados semanais sobre diarreia aquosa aguda, permitindo identificar rapidamente aumentos anormais de casos. Uma vez ultrapassados os limiares predefinidos, as ações serão desencadeadas automaticamente, evitando atrasos na mobilização de recursos.
Um dos elementos centrais do mecanismo é o financiamento pré-posicionado através do Fundo Central de Resposta a Emergências (CERF), que disponibilizará até 1,5 milhões de dólares (1,3 milhões de euros) para o período de vigência de dois anos. Cada ativação pode libertar 750 mil dólares (650 mil euros), permitindo duas intervenções rápidas durante esse período.
Além do financiamento direto do CERF, o plano prevê cofinanciamento por parte das agências envolvidas, elevando o valor total mobilizável para perto de dois milhões de dólares (1,7 milhões de euros), incluindo recursos adicionais destinados à preparação e implementação no terreno.