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Moçambique. MSF alertam para "lacunas críticas" no acesso à saúde

Moçambique. MSF alertam para "lacunas críticas" no acesso à saúde

Os Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciaram hoje o fim da resposta de emergência no norte de Moçambique, após a maior vaga de deslocados provocada pelo conflito armado, alertando para "lacunas críticas" no acesso aos cuidados de saúde.

Lusa /
Foto: Médicos Sem Fronteiras

"MSF conclui resposta de emergência no norte de Moçambique, mas permanecem lacunas críticas no acesso aos cuidados de saúde", lê-se num balanço dos MSF, enviado hoje à Lusa.

No documento, aquela Organização Não-Governamental (ONG) refere que após 10 semanas de resposta de emergência concluiu a sua intervenção no distrito de Eráti, na província de Nampula, uma das afetadas pelos ataques de grupos armados no norte de Moçambique, tendo prestado cuidados de saúde primários e serviços de emergência às comunidades deslocadas e anfitriãs em Alua Velha, Alua Sede e Miliva, "num momento em que os serviços de saúde locais estavam sobrecarregados e o risco de surtos de doenças era elevado".

Segundo os MSF, esta resposta de emergência foi lançada em dezembro de 2025, na sequência da maior vaga de deslocamento registada naquele ano, desencadeada por ataques do grupo armado Estado Islâmico em Moçambique e pelo receio de mais violência, quando mais de 100 mil pessoas fugiram do distrito de Memba e muitas delas procuraram refúgio em Eráti, "em condições extremamente precárias".

"As equipas da MSF implementaram clínicas móveis em Alua Sede, Alua Velha e Miliva, áreas que acolhiam o maior número de pessoas deslocadas. As equipas realizaram mais de 15.000 consultas médicas, com mais de 2.000 por semana no pico da emergência. As crianças representaram quase dois terços dos pacientes", descreve-se no balanço.

De acordo com o documento, a malária foi a principal doença registada - representando mais de metade de todas as consultas -, tendo as equipas dos MSF realizado mais de 11 mil testes rápidos de diagnóstico de malária, com uma taxa de positividade de 63%.

"As equipas também prestaram cuidados pré-natais, planeamento familiar e serviços de saúde mental, além de realizarem atividades de promoção de saúde que alcançaram dezenas de milhares de pessoas", refere-se no balanço.

Os MSF também apoiaram a resposta ao surto da cólera na província, liderada pelo Ministério da Saúde, estabelecendo um centro de tratamento de cólera em Alua Sede, formando profissionais de saúde locais e implementando atividades de água, saneamento e higiene, incluindo construção de latrinas de emergência, reabilitação de fontes de água e fornecimento de água potável às comunidades afetadas.

"À medida que a fase mais aguda da crise diminuiu, muitas pessoas deslocadas começaram a regressar às suas zonas de origem, e a MSF entregou as atividades ao Ministério da Saúde. No entanto, a intervenção expôs lacunas estruturais antigas no acesso aos cuidados de saúde, especialmente em áreas remotas e com pouco assistência, onde as pessoas continuam a enfrentar barreiras no acesso a cuidados, medicamentos e serviços básicos", alerta a ONG.

Para os Médicos Sem Fronteiras, num contexto marcado pela insegurança há agora a necessidade de respostas humanitárias sustentadas, coordenadas e baseadas em necessidades das populações afetadas.

A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia, com incursões também registados em Nampula, principalmente no ano passado, resultando em mais de 82 mil deslocados.

De acordo com o último relatório da organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês), com dados de 09 a 22 de março, dos 2.342 eventos violentos registados desde outubro de 2017, 2.172 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM), provocando 6.515 mortos.

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