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Moçambique. Oposição pede meios para forças moçambicanas substituírem Ruanda

Moçambique. Oposição pede meios para forças moçambicanas substituírem Ruanda

O partido moçambicano Podemos, líder da oposição, pediu hoje ao Governo para investir nas Forças de Defesa e Segurança, entendendo que são capazes de combater o terrorismo, perante a possibilidade de retirada da força ruandesa de Cabo Delgado.

Lusa /
Contingente da Força de Defesa do Ruanda em Cabo Delgado, Moçambique | Jean Bizimana - Reuters

"Se o Estado investisse com maior determinação nas nossas forças armadas, se houvesse equipamento moderno, logística consistente, apoio operacional adequado, inteligência militar eficaz e condições dignas para combatentes, as nossas forças seriam plenamente capazes de defender cabo Delgado e garantir a segurança do povo moçambicano, disse hoje, no parlamento, Zainaba Andala, deputada do partido Povo Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (Podemos).

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Ruanda avisou no domingo que o destacamento ruandês que combate o terrorismo em Cabo Delgado vai sair do norte de Moçambique, caso não existam garantias de "financiamento sustentável" da operação.

"Não se trata de o `Ruanda poder retirar`, mas sim de o `Ruanda retirará` as suas tropas de Moçambique caso não seja garantido financiamento sustentável para as suas operações antiterroristas em Cabo Delgado", disse Olivier Nduhungirehe numa mensagem na sua conta oficial na rede social X, a segunda posição oficial de Kigali em menos de 24 horas.

O aviso surgiu quando se aproxima a conclusão, prevista para maio, do apoio financeiro da União Europeia (UE) à operação, ao fim dos 36 meses e de desembolsos de 40 milhões de euros, e numa altura em que os Estados Unidos - que financiam o megaprojeto de Gás Natural Liquefeito (GNL) liderado pela francesa TotalEnergies em Cabo Delgado - aplicaram sanções às RDF, devido ao conflito na República Democrática do Congo (RDCongo).

No parlamento, o partido Podemos defendeu que a defesa do país é uma questão de soberania, indicando que as forças moçambicanas são capazes de defender o território se tiverem condições materiais e humanas adequadas.

"O que muitas vezes falta não é a coragem, patriotismo e determinação. O que muitas vezes falta são condições adequadas para aqueles que combatem no terreno, os nossos militares enfrentam um inimigo brutal em situações extremamente difíceis e muitos partem para defender a pátria sem regressar, deixando famílias marcadas pela dor e pelo orgulho de seu sacrifício", disse a deputada, pedindo apoio logístico para as forças moçambicanas.

"Se as forças estrangeiras que vieram apoiar Moçambique tiveram determinadas condições logísticas, operacionais e materiais, então as nossas próprias forças devem ter condições iguais ou até melhores, porque as nossas forças são as forças da pátria, são filhos desta terra, jovens que juraram defender a integridade territorial de Moçambique", concluiu Zainaba Andala.

Desde outubro de 2017, a província de Cabo Delgado, rica em gás, enfrenta uma rebelião com ataques reclamados por movimentos associados ao grupo extremista Estado Islâmico que se estima terem provocado cerca de 6.500 mortos.

Mais de 2.000 militares do Ruanda colaboram nas operações de segurança, sobretudo na região próxima do megaprojeto de gás da TotalEnergies, cuja construção foi retomada em janeiro, quase cinco anos após a suspensão devido aos ataques, com a petrolífera a enfatizar a importância dos acordos para a presença das RDF.

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