Moçambique passa de alerta vermelho a laranja quase cinco meses após cheias
O Governo moçambicano desativou hoje o alerta vermelho que vigorava desde 16 de janeiro, decretado devido às cheias generalizadas que então provocaram pelo menos 43 mortos, mas mantém o alerta laranja para garantir assistência.
"O Conselho de Ministros desativou o alerta vermelho, mas mantém o alerta laranja por um período de dois meses, para fazermos esta monitoria da assistência humanitária e estabilizar as áreas afetadas", anunciou, no final da reunião semanal daquele órgão, em Maputo, o porta-voz, Ussene Isse.
De acordo com o também ministro da Saúde, o Conselho de Ministros "apreciou e aprovou a resolução que desativa o alerta vermelho, justificada pelo término da época chuvosa e ciclónica 2025-2026", pelo estão "criadas as condições que ditaram a sua ativação a 16 de janeiro".
No entanto, enfatizou que "há ainda a necessidade de garantir a assistência humanitária e a estabilização das áreas afetadas" pelas cheias do início do ano.
"A emergência é muito importante desativar, mas, por outro lado, estar atento, porque ainda há ajuda humanitária, a estabilização das áreas afetadas, principalmente nas províncias de Maputo e Gaza e outras regiões do país que precisamos de estar muito atentos", apontou o porta-voz da reunião de hoje.
A última época das chuvas em Moçambique matou 314 pessoas, afetou mais de 1,078 milhões de pessoas e atingiu quase 260 mil casas, segundo atualização feita hoje pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
De acordo com os dados da manhã de hoje, aos quais a Lusa teve acesso, o balanço envolve a época das chuvas, que habitualmente decorre de outubro a abril, e corresponde a 249.053 famílias afetadas neste período em todo o país.
Há também registo de 19 pessoas ainda desaparecidas e 361 feridos.
Nesta época das chuvas, 211.655 casas foram inundadas, 15.616 casas foram totalmente destruídas e 31.081 parcialmente destruídas.
Só as cheias de janeiro, as mais violentas em vários anos, provocaram 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afetando globalmente 715.716 pessoas.
Já a passagem do ciclone Gezani na província de Inhambane, em 13 e 14 de fevereiro, causou mais quatro mortos e afetou 9.040 pessoas, segundo os dados do INGD.
Pelo menos 305 unidades de saúde, 103 locais de culto e 785 escolas foram afetadas, nos sete meses desta época das chuvas.
Os dados do INGD indicam ainda que 320.464 hectares de áreas agrícolas foram perdidos neste período, afetando 373.262 agricultores, e 532.985 animais morreram, entre bovinos, caprinos e aves.
Foram ainda afetados nesta época das chuvas 9.735 quilómetros de estradas, 52 pontes e 237 aquedutos.
Desde outubro, o instituto de gestão de desastres moçambicano ativou 199 centros de acomodação, que chegaram a albergar 139.847, dos quais 22 ainda estão ativos, com pelo menos 4.037 pessoas, além do registo de 7.214 pessoas que tiveram de ser resgatadas devido às inundações, sobretudo no mês de janeiro.