Moçambique. Populares abandonam aldeias de Quissanga face a movimentações de rebeldes

Moçambique. Populares abandonam aldeias de Quissanga face a movimentações de rebeldes

As comunidades das aldeias de Namoja e Uinguia estão a abandonar as suas casas devido à circulação de supostos rebeldes, no distrito de Quissanga, província moçambicana de Cabo Delgado, disse hoje à Lusa um paramilitar.

Lusa /

Segundo a fonte, os rumores de circulação de alegados terroristas registam-se há duas semanas, num perímetro de 500 metros da Estrada Nacional 380, criando pânico e fuga dos populares.

"Nos últimos dias as populações de Uinguia e Namoja, mesmo outras aldeias pequenas ao longo da Estrada Nacional 380, estão a se queixar de recorrente circulação de terroristas", disse a fonte a partir de Meluco.

A fonte avançou que foi destacado um grupo da Força Local, paramilitares que apoiam o combate ao terrorismo, para operações de patrulha nas aldeias, visando evitar possíveis ataques dos rebeldes.

"O nosso grupo vai para lá averiguar, para ir velar com a situação", disse o paramilitar, acrescentando que se suspeita que a circulação dos rebeldes esteja associada aos recentes ataques registados em Ancuabe, distrito vizinho de Quissanga.

"Acredito que estão a voltar para as sua zonas de origem, por isso essa toda movimentação", frisou.

Quase 20 mil pessoas, metade crianças, fugiram no último mês de ataques terroristas no distrito de Ancuabe, de acordo com um relatório da Organização Internacional para as Migrações (OIM) divulgado na segunda-feira.

Elementos associados ao grupo extremista Estado Islâmico reivindicaram, em 07 de maio, ataques em Cabo Delgado, incluindo a destruição de uma igreja, lojas de "cristãos" e de mais de 200 casas, no distrito de Ancuabe.

A organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês), registou oito eventos violentos nas duas últimas semanas de maio, seis envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram oito mortos, elevando para 6.624 os óbitos desde 2017.

De acordo com o último relatório da ACLED, com dados de 18 a 31 de maio, dos 2.397 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.214 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).

Pelo menos 662 mil moçambicanos continuavam deslocados em fevereiro, essencialmente pelo conflito armado em Cabo Delgado, enquanto 722 mil regressaram às zonas de origem, segundo relatório divulgado hoje pelas Nações Unidas, que alertam para o défice de financiamento ao apoio humanitário.

A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.

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