Moçambique realiza uma das maiores apreensões de droga, com 3,7 toneladas de fentanil
O Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) moçambicano realizou uma das maiores apreensões de droga em Moçambique, com 3,7 toneladas de fentanil encontradas nos armazéns de uma empresa privada no aeroporto de Maputo, foi hoje anunciado.
Em conferência de imprensa, o porta-voz do Sernic, Hilário Lole, afirmou que "não restam dúvidas" de que se trata de uma rede de tráfico internacional de drogas, sublinhando que a substância, inicialmente declarada como "multivitaminas", foi confirmada por exames laboratoriais como ilícita e altamente perigosa.
No seguimento das investigações, foi detido um cidadão moçambicano, que indicou que o destinatário e proprietário da droga seria um cidadão nigeriano, entretanto também detido pelas autoridades.
Hilário Lole acrescentou que a operação, no âmbito da prevenção e combate ao tráfico de droga, aconteceu na sexta-feira (12 de junho), nos armazéns de uma empresa privada no aeroporto de Maputo, tendo sido encontrada droga acondicionada em 50 caixas com 30 pacotes, com o peso de 2,2 quilogramas cada, num total de 1.500 pacotes.
Análises químico-forenses concluíram que se trata de uma droga sintética composta por denadryl e fentanil, avançou ainda o Sernic.
"Esta apreensão, sobretudo do fentanil, representa um marco importante no combate à droga no país, considerando que esta droga possui um elevadíssimo potencial destrutivo à saúde de quem as consumir, sendo mais potente do que a heroína, a morfina e a cocaína", destacou Hilário Lole.
O representante sublinhou a elevada perigosidade do produto, por envolver "opioides sintéticos extremamente potentes", que podem causar "depressão grave do sistema nervoso central, levando a sonolência intensa, confusão, dificuldade respiratória e risco de morte".
As investigações a este caso apontam para um esquema internacional de tráfico de droga, já que o Sernic tinha conhecimento do envio desta droga, inicialmente com indicações de que seria proveniente do Brasil, acabando por ser "expedida da Índia para Maputo, com trânsito em Doha".
A operação incluiu vigilância no aeroporto para deter os suspeitos que tentariam levantar a carga, tendo sido identificado um esquema que envolvia o recrutamento de funcionários locais.
"Constatou-se que os mesmos desencadearam mecanismos de recrutar funcionários das Alfândegas para o levantamento", explicou Lole.
Face ao risco associado à substância, as autoridades decidiram intervir de imediato, segundo o porta-voz: "Para evitar o risco do extravio, considerando o alto potencial nocivo desta droga, particularmente o Fentanil, o Sernic optou por apreendê-la."
O Sernic reafirmou o compromisso de prosseguir o combate ao crime organizado e ao tráfico transnacional, assegurando que continua "determinado" no combate à criminalidade organizada e transnacional, "para impedir que Moçambique seja utilizado como corredor ou destino de drogas ilícitas".