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Mohamed VI condena visita de Juan Carlos a Mellila, mas defende o diálogo

Mohamed VI condena visita de Juan Carlos a Mellila, mas defende o diálogo

O rei de Marrocos manifestou "viva condenação" pela visita que o monarca espanhol efectua a Melilla, depois da de Ceuta, e criticou-a com "firmeza", defendendo um "diálogo franco e aberto sobre o futuro" com Espanha.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

"Manifestamos com vigor a nossa viva condenação e denunciamos com a mesma firmeza esta visita sem precedente", escreve o rei Mohamed VI de Marrocos num comunicado divulgado na altura em que Juan Carlos efectua uma visita ao enclave espanhol de Melilla, depois de ter estado segunda-feira em Ceuta, ambos reivindicados por Marrocos.

Simultaneamente, Mohamed VI declarou-se a favor de "um diálogo honesto, franco e aberto sobre o futuro" com Espanha sobre Ceuta e Melilla.

"O melhor meio de solução e gestão deste conflito territorial requer o respeito pelas virtudes de um diálogo honesto, franco e aberto sobre o futuro", acrescenta o comunicado do rei, lido hoje em Casablanca durante uma reunião governamental.

A visita do rei de Espanha constitui um "passo contraproducente" que "atenta contra os sentimentos patrióticos solidamente enraizados em todas as componentes e sensibilidades do povo marroquino", sublinhou o rei Mohamed VI que deverá pronunciar hoje à noite um discurso a ser transmitido pela rádio e televisão.

Mohamed VI considera esta visita como um "acto nostálgico de uma era sombria e decididamente passada".

"É forçoso que as autoridades espanholas assumam a responsabilidade das consequências que possam pôr em perigo o futuro e a evolução das relações entre os dois países", advertiu o rei.

Igualmente, acrescentou, o governo espanhol deve assumir a responsabilidade do seu "flagrante desrespeito pela letra e o espírito do Tratado de amizade, de boa vizinhança e de cooperação concluído em 1991".

As "constantes nacionais" dos marroquinos não devem ser "utilizadas como meios de negociação interna espanhola", sublinhou o rei de Marrocos.

Enquanto isto, o rei Juan Carlos de Espanha, na sua primeira visita a Melila em 32 anos de reinado, salientou hoje as relações "de sincera amizade" que a Espanha cultiva com os seus vizinhos.

Sem mencionar expressamente Marrocos, país que se mostrou contra esta visita real ao que considera "cidades ocupadas", Juan Carlos insistiu no carácter aberto e solidário de Espanha "com base no respeito mútuo cultiva relações de sincera amizade com os seus vizinhos".

Estas palavras foram pronunciadas pelo rei depois de receber a Chave de Ouro de Melilla numa emotiva cerimónia realizada no Palácio da Assembleia, na presença da rainha, da ministra da Administração Pública, Elena Salgado, e do governo autónomo.

Trinta mil dos mais de 70.000 habitantes de Melilla saíram às ruas da cidade que se vestiu com as cores da bandeira espanhola para receber Juan Carlos e a rainha Sofia numa visita real que não ocorria desde que, em 1927, Afonso XIII viajou para esta praça do Norte de África.

Com a visita segunda-feira a Ceuta e hoje a Mellila completou-se o roteiro dos reis pelo mapa de Espanha em 32 anos de reinado.

Centenas de pessoas manifestaram-se na fronteira marroquina com Melilla gritando palavras de ordem para que as cidades autónomas espanholas e o Sara ocidental sejam marroquinos: "Não queremos fronteiras, queremos a terra dos nossos avós".

Em Lisboa, o ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, Angel Moratinos, disse hoje que "deve respeitar-se as posições divergentes" de Marrocos em relação a Ceuta e Melilla, depois de escutar de novo as queixas do seu homólogo marroquino, Taib Fassi Fihri, pela viagem dos reis àquelas cidades autónomas.

Moratinos teve segunda-feira à noite uma "reunião informal" com Taib Fassi Fihri, durante a conferência Euro-Mediterrânica de Lisboa, em que o ministro marroquino lhe reiterou que a visita dos reis "não foi bem recebida" e lhe transmitiu a sua "preocupação", explicou hoje o chefe da diplomacia espanhola aos jornalistas.

"Cada país defende a sua (posição)", disse Moratinos, que preferiu não "fazer previsões" sobre quais serão os próximos passos de Marrocos.

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