Montreal recebe exposição de projetos de Álvaro Siza no Canadian Centre for Architecture
O Centro Canadiano para Arquitetura (CCA), em Montreal, inaugura na próxima quinta-feira a exposição "A sorte da cidade é nunca ter sido perfeita", dedicada aos projetos urbanos do arquiteto português Álvaro Siza.
A mostra reúne desenhos, colagens fotográficas, maquetas, cadernos de esboços e documentação do arquivo pessoal de Siza, doado ao CCA, em diálogo com obras de fotógrafos e arquitetos ligados ao pensamento urbanístico contemporâneo.
Entre os nomes representados na exposição encontram-se os fotógrafos Nuno Cera, Gabriele Basilico, Giovanni Chiaramonte, Alessandra Chemollo e Balthazar Korab, assim como os arquitetos e historiadores Aldo Rossi, Gene Summers, James Stirling, Kenneth Frampton e Jean-Louis Cohen.
A exposição é comissariada por Giovanna Borasi, diretora e `Chief Curator` do CCA, em colaboração com Laura Aparicio Llorente, e resulta de um processo de investigação e de várias conversas realizadas com Álvaro Siza, no Porto.
Segundo o CCA, a mostra procura refletir sobre a forma como as cidades podem transformar-se sem destruir a sua história e identidade, explorando a relação entre arquitetura, urbanismo e memória coletiva.
"O próprio tecido físico, histórico e social da cidade continua a oferecer um terreno fértil de investigação", refere a instituição no texto de apresentação da mostra.
A organização sublinha que Álvaro Siza "trabalhou sempre na construção de lugares, bairros e cidades", privilegiando uma abordagem baseada na experiência do território e na integração das estruturas existentes.
A exposição será acompanhada por uma publicação centrada numa extensa história oral conduzida com o arquiteto ao longo de vários dias no Porto, reunindo igualmente notas inéditas descobertas no seu arquivo.
O livro, previsto para setembro de 2026, será publicado pelo Canadian Centre for Architecture, pela Circo de Ideias, em português, e pela Ruby Press, em inglês.
Nascido em Matosinhos, em 1933, Álvaro Siza Vieira é considerado o arquiteto português mais reconhecido internacionalmente e recebeu o Prémio Pritzker em 1992, o mais importante galardão mundial da arquitetura.
Ao longo de mais de sete décadas de carreira, assinou obras emblemáticas como o bairro da Malagueira, em Évora, o Pavilhão de Portugal da Expo`98, em Lisboa, a renovação do Chiado e a Igreja de Santa Maria, em Marco de Canavezes.
Além da arquitetura, Siza desenvolveu uma intensa produção artística ligada ao desenho, escultura e escrita, sendo conhecido pela prática constante do desenho como ferramenta de pensamento e criação.
Em 2024, a Fundação Calouste Gulbenkian apresentou em Lisboa a exposição "Siza", uma das maiores retrospetivas dedicadas ao arquiteto nas últimas décadas, centrada tanto na sua obra arquitetónica como no universo mais íntimo e artístico.
No ano seguinte, a Fundação de Serralves inaugurou em Xangai a exposição "Álvaro Siza: The Archive", considerada a maior mostra alguma vez realizada sobre o seu trabalho, reunindo desenhos, maquetas, esculturas e documentação de arquivo.
O livro "A Última Lição de Álvaro Siza Vieira", da jornalista e escritora Patrícia Reis, publicado recentemente, traça igualmente um retrato pessoal do arquiteto aos 92 anos, abordando temas como memória, criatividade, envelhecimento e poesia.
A inauguração da exposição no CCA decorrerá entre as 17:00 e as 21:00 locais, incluindo uma conversa pública com Giovanna Borasi e os arquitetos Sebastián Adamo e Marcelo Faiden, responsáveis pelo desenho expositivo.
A exposição ficará patente nas galerias principais do Canadian Centre for Architecture até 10 de janeiro de 2027.