Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra do Brasil doa medicamentos a Cuba

Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra do Brasil doa medicamentos a Cuba

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Brasil entregou uma doação de mais de sete toneladas de medicamentos ao hospital Hermanos Ameijeiras, em Havana, para atenuar a escassez de material médico.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Norlys Perez - Reuters

A remessa, que inclui antibióticos, foi entregue na quarta-feira e vai ser distribuída por várias instituições do sistema de saúde da ilha, informou a Agência Cubana de Notícias (ACN).

"É uma ajuda muito significativa neste momento", afirmou o subdiretor do centro hospitalar de Havana, Reynaldo Denis de Armas, que, ao receber o apoio, agradeceu a contribuição para a continuidade dos serviços de assistência.

A entrega foi efetuada pelo diretor nacional do MST brasileiro, Gene Santos, e pelo representante desse movimento em Cuba, Marcelo Durao, juntamente com outros membros da organização.

Santos afirmou que, para o MST, é "uma honra" acompanhar o povo cubano e contribuir para o sistema de saúde do país, deixando críticas ao bloqueio económico, comercial e financeiro que o Governo dos Estados Unidos impõe à ilha.

Da mesma forma, o ativista Durao afirmou que "esta não é a última doação, nem a próxima será a última".

A doação faz parte da campanha "Ajuda a Cuba", lançada pela organização brasileira em 2025 para angariar fundos que permitam enviar medicamentos para a ilha, em colaboração com o Ministério da Saúde Pública (Minsap) cubano.

A iniciativa do MST mobilizou doadores de todas as regiões do Brasil, incluindo trabalhadores rurais e urbanos, estudantes, professores, profissionais de saúde, ativistas e cidadãos comuns.

Anteriormente, o MST enviou para Cuba 4,6 toneladas de medicamentos e material médico para apoiar a recuperação das províncias orientais afetadas pela passagem do furacão Melissa no final de 2025, e essa remessa incluiu também recursos destinados ao Instituto de Endocrinologia e ao hospital ortopédico Frank País, em Havana.

Esta ação junta-se a outras, como a da organização não-governamental espanhola Open Arms, que, em julho, enviou sete toneladas de ajuda humanitária destinadas a um hospital pediátrico em Havana, e ao Convoy Nuestra América, flotilha que transportou 14 toneladas de alimentos, medicamentos e painéis solares para aliviar a grave crise energética e o impacto do embargo norte-americano na ilha.

Cuba atravessa uma profunda crise energética desde meados de 2024, agravada desde janeiro pelo cerco petrolífero imposto pelos EUA e pelas sanções adicionais, que agravaram a crise económica que assola a ilha há seis anos.

A economia estatal está praticamente paralisada e estima-se que venha a contrair-se este ano pelo menos 6,5%, após uma queda acumulada de mais de 15% nos cinco anos anteriores.

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