Na África do Sul brancos e negros ainda trilham caminhos separados
Os sul-africanos ainda caminham por vezes em trilhos separados ditados pelo facto de serem brancos ou negros, pretendendo muitas vezes que o outro não existe, disse hoje, em Pretória, o Presidente Thabo Mbeki.
Num discurso proferido numa cerimónia do Dia da Reconciliação, que hoje se celebra na África do Sul, Mbeki afirmou-se convencido de que a sociedade não tem acompanhado, com o mesmo rigor, os esforços das instituições no sentido de alterar o passado de divisões e discriminações.
"Enquanto o Parlamento tem trabalhado muito, nos últimos 11 anos, na remoção das leis do `apartheid` do edifício legal, não temos visto o mesmo tipo de iniciativas rigorosas por parte dos indivíduos, no sentido de criar uma sociedade verdadeiramente não racial e não sexista", salientou o Presidente.
Mbeki insistiu que a "verdadeira reconciliação e edificação nacional" só se materializam quando os indivíduos quebrarem as barreiras raciais e sexistas que os dividem, independentemente dos esforços e iniciativas dos órgãos do poder.
O chefe de Estado sul-africano questionou a audiência: "Temos de perguntar a nós próprios, directamente, se fizemos o que tínhamos de fazer para quebrar os estereótipos que foram inculcados na sociedade pelas políticas racistas do passado ou se continuamos, pela calada, a guiarmo-nos pelos mesmos estereótipos".
Mbeki insistiu que o Governo tem feito mais do que os cidadãos pela criação de uma sociedade verdadeiramente liberta do racismo e exortou os seus compatriotas a integrarem-se em todas as esferas da sociedade.
"Temos de nos confrontar com uma questão que pode ser incómoda: será que todos nós, brancos e negros, nos guiamos na vida pelo mesmo hino nacional e pelos mesmos trilhos ou, se pelo contrário, nos conduzimos por caminhos separados, pretendendo mesmo por vezes que uns e outros não existem?", salientou o Presidente, que muitos críticos acusam de utilizar amiúde a questão racial para dela retirar dividendos eleitoralistas.
O líder da Aliança Democrática, a maior força da oposição, Tony Leon, acusou já várias vezes o Presidente sul-africano de nada fazer para promover a reconciliação racial, utilizando o racismo como bandeira contra os brancos, o que lhe rende popularidade entre a população não branca.