Na Guiné-Bissau muçulmanos festejam fim do Ramadão

Na Guiné-Bissau muçulmanos festejam fim do Ramadão

Os muçulmanos guineenses estão hoje a festejar o fim do Ramadão, o mês sagrado do calendário islâmico, em que o crente passa um período de abstinência total entre o nascer e o pôr-do-sol, ao longo de 30 dias.

Agência LUSA /

Os festejos do "Ide Fitr" começaram hoje de manhã cedo na Guiné-Bissau, depois da reza matinal, e os muçulmanos estão agora juntos nas suas casas em grandes banquetes, onde predomina o carneiro.

Os principais mercados de Bissau estão com uma actividade frenética, com milhares de pessoas a abastecerem-se para a festa, onde o sacrifício de não comer ou beber, fumar, ter relações sexuais ou proferir palavras obscenas durante o dia deu lugar a grandes sorrisos e salamaleques.

Segundo a tradição, ao celebrar-se o "Ide Fitr" a um domingo, os festejos prolongam-se por segunda-feira, embora se desconheça ainda se o governo guineense vai declarar feriado.

Por coincidência, os festejos do Ramadão ocorrem no mesmo dia em que se passam 24 anos sobre o golpe de Estado de 14 de Novembro de 1980, em que, no denominado localmente "Movimento Reajustador", o regime político de Luís Cabral foi derrubado num golpe de Estado militar liderado por João Bernardo "Nino" Vieira.

Oficialmente, a efeméride, que à data rompeu com o sonho da unidade entre Cabo Verde e Guiné-Bissau, não tem qualquer celebração no país.

O jejum simboliza o período do Ramadão, o mês sagrado do calendário muçulmano, em que o crente passa o dia em meditação, oração, introspecção e num conjunto de actos de abstinência.

Durante este período é encorajada a leitura do Corão, o livro sagrado do Islão, como forma de se compreender melhor a palavra e os mandamentos do profeta Maomé.

A abstinência no Ramadão é o quinto "pilar" em que se fundamenta a religião islâmica e, por isso, a sua prática é obrigatória para o muçulmano adulto, sadio e que esteja em perfeitas condições para se sustentar.

Os restantes quatro "pilares" do islamismo são a fé, as cinco orações diárias, a esmola e a ida, pelo menos uma vez na vida, em peregrinação à cidade santa de Meca, na Arábia Saudita.

Segundo os dados do último recenseamento na Guiné-Bissau, realizado em 1991, os crentes muçulmanos representam cerca de 46 por cento, enquanto os católicos atingem os 13 por cento, sendo os restantes 36 por cento animistas.

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