Nabiam convicto do apoio da população guineense mesmo sem efeitos do apelo à paralisação
O líder da coligação API Cabas Garandi, Nuno Nabiam, mostrou-se esta sexta-feira convicto de que tem o apoio da população da Guiné-Bissau na contestação ao Presidente da República, apesar da falta de resposta ao apelo à paralisação do país.
O antigo primeiro-ministro e conselheiro do Presidente, Umaro Sissoco Embaló, apelou, na qualidade de líder da coligação contestatária do chefe de Estado, a uma paralisação total do país quinta e sexta-feira.
A ideia foi fazer coincidir o protesto com o fim do mandato de cinco anos de Sissoco Embaló sem que ainda tenham sido convocadas eleições presidenciais.
Tanto na quinta-feira como hoje, a cidade de Bissau manteve o quotidiano, com o comércio a funcionar, serviços abertos e transportes públicos a circular.
Questionado pela Lusa sobre o resultado do apelo, Nuno Nabiam disse que na quinta-feira "houve alguma paralisação" e que não sabe dizer "a que nível foi a paralisação hoje".
Nabiam afirmou que sente "apoio da população" e que "os guineenses percebem perfeitamente" que a democracia tem que ser respeitada.
"Sobretudo a população guineense está firme em defesa da nossa Constituição. É uma lei magna que ninguém pode violar", afirmou.
A Constituição determina que o mandato do Presidente da República tem a duração de cinco anos.
Nuno Nabiam esteve ao lado de Umaro Sissoco Embaló a 27 de fevereiro de 2020, quando este tomou posse como Presidente da República da Guiné-Bissau, ainda decorria um litígio judicial sobre os resultados das presidenciais realizadas em novembro de 2019.
Nabiam, que entretanto se incompatibilizou com o chefe de Estado, insiste que "o mandato do Presidente Sissoco Embaló terminou ontem [quinta-feira] às duas e cinquenta da tarde e ele já não é Presidente da República, é ex-Presidente da República".
Na quarta-feira, véspera do dia 27 de fevereiro, a coligação API Cabas Garandi "apelou à população para que haja uma solidariedade de uma forma geral sobre esta matéria, o fim do mandato do Presidente", recordou.
O apelo não teve efeitos visíveis, mas o líder promete que a coligação vai continuar a fazer o trabalho político.
Nuno Nabiam falava no final de uma segunda ronda de audiências aos partidos políticos e sociedade civil da Missão da CEDEAO que chegou a Bissau no domingo, para uma semana de contactos visando ajudar a ultrapassar a crise política no país.
Neste último dia de reuniões, pela sede da CEDEAO passou mais uma vez também Bubacar Turé, representante das organizações da sociedade civil, para quem não se pode "culpabilizar o povo, porque este povo foi educado para ser passivo, se conformar com todas as arbitrariedades".
Ainda assim, disse acreditar que "não é que o povo não tenha noção das ilegalidades, da gravidade da situação".
"O povo tem perfeita noção. Cedo ou tarde acordará e vai defender com dentes e unhas os seus próprios interesses", considerou.
Para Bubacar Turé, este processo já se iniciou e "os atores políticos que têm este povo refém em nome dos seus interesses individuais e egoístas devem perceber a mensagem que paulatinamente o povo está a dar".
"Cedo ou tarde o povo irá levantar-se para enfrentar estes malfeitores, estes corruptos e estes que estão a destruir a democracia, o Estado de Direito e a paz na Guiné-Bissau. E nós, enquanto organização, iremos trabalhar arduamente para sensibilizar o povo nesse sentido, para levantar-se e defender os seus interesses", declarou.
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