"Não ao G7". Protesto em Genebra deixa ruas a ferro e fogo

"Não ao G7". Protesto em Genebra deixa ruas a ferro e fogo

Milhares de manifestantes reuniram-se em Genebra para um protesto contra o G7, que se vai reunir numa localidade francesa perto da fronteira com a Suíça, Évian-les-Bains.

RTP /
Foto: Denis Balibouse - Reuters

A cidade de Évian-les-Bains vai receber os líderes do G7 esta semana. Os líderes dos países mais ricos começam segunda-feira a discutir a situação no Médio Oriente, tendo ainda na agenda outros temas, como é o caso da guerra na Ucrânia.

Nas ruas de Genebra a segurança foi reforçada e serão cerca de 6 mil polícias e 4 mil militares a patrulhar as ruas da cidade.

Genebra preparava-se há semanas para sediar esta marcha cidadã, tendo em vista evitar atos de violência, vandalismo ou sabotagem que frequentemente marcam estes eventos.

Cimeira decorre a 45 km da fronteira

A cimeira do grupo das sete economias mais industrializadas do mundo será realizada até quarta-feira na cidade de Évian-les-Bains, a 45 quilómetros de Genebra.

O Governo francês manteve a sua recusa em autorizar uma manifestação no seu território. Por isso, o grupo organizador "No G7" (composto por mais de 60 associações, sindicatos e grupos de esquerda) solicitou às autoridades de Genebra que permitissem a realização do evento.

Após negociações infrutíferas entre a Suíça e a França, as autoridades de Genebra, com o apoio do Governo central, finalmente concordaram em acolher a manifestação, embora os franceses nem sequer tenham concordado em contribuir para os custos de segurança.

Genebra, considerada uma "cidade internacional" e o coração do multilateralismo, por ser a sede europeia da Organização das Nações Unidas (ONU) e de dezenas de outras organizações internacionais, sentiu-se na obrigação moral de garantir a liberdade de expressão e o direito de manifestação, explicou Carole-Anne Kast, do governo cantonal de Genebra.

Numerosos grupos de vários países europeus confirmaram presença na marcha e estão a chegar a Genebra, onde foram impostas medidas de segurança rigorosas e 21 das suas 26 passagens de fronteira com a França foram fechadas para controlar a entrada.

Além disso, 4.000 militares foram mobilizados para apoiar as forças policiais.

Embora as manifestações contra o G7 tenham variado em tamanho e atraído diferentes níveis de atenção nos últimos anos, o precedente mais violento é o do G8 (na época, a Rússia fazia parte) de 2003, que também ocorreu em Évian, embora a manifestação daquela ocasião também tenha acontecido em Genebra, onde houve extensos danos materiais causados por grupos extremamente violentos.

As autoridades impuseram um percurso que restringe a passagem dos manifestantes ao longo da margem direita do lago de Genebra, impedindo-os de atravessar a icónica Ponte do Mont Blanc, uma medida solicitada pelos organizadores que os mantém afastados do centro da cidade, embora passem pela sede da ONU.

Nas proximidades fica a Organização Mundial do Comércio (OMC), que reforçou a sua segurança por ser considerada um símbolo do capitalismo e do livre mercado, e que já foi alvo de manifestações violentas no passado.

c/ Lusa

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