"Não se cansem". Erdogan ameaça vetar adesão de Finlândia e Suécia à NATO

por Cristina Sambado - RTP
Reuters

O presidente turco reafirmou a sua oposição à adesão da Finlândia e da Suécia à NATO. Recep Tayyip Erdogan considera que as duas nações escandinavas não necessitam de enviar delegações diplomáticas a Ancara para tentar convencer a Turquia. Isto porque, na perspetiva turca, dão abrigo a uma "organização terrorista": o PKK, Partido dos Trabalhadores do Curdistão.

“Vão chegar à Turquia na segunda-feira. Virão cá para nos persuadir? Lamento, mas não se cansem. Não diremos que sim àqueles que impõem sanções à Turquia para que se juntem à NATO, uma organização de segurança, durante este processo”.
Erdogan acusa a Finlândia e a Suécia de terem uma política de acolhimento de guerrilheiros curdos.

“Porque então a NATO deixará de ser uma organização de segurança e tornar-se-á num local onde os representantes do terrorismo estão concentrados”, acrescentou.A Turquia é um membro-chave da Organização do Tratado do Atlântico Norte.

O presidente turco frisa que “nenhum destes países tem uma atitude clara e aberta em relação à organização terrorista” e questiona como pode a NATO “confiar neles”.

Para o presidente turco, “a Suécia é um centro de incubação de organizações terroristas. Acolhe terroristas. No seu Parlamento, há deputados que defendem os terroristas. A quem acolhe terroristas não diremos sim quando quiserem juntar-se à NATO”.

Estes dois países não têm uma posição clara contra as organizações terroristas. Inclusive quando dizem que são contra elas, não entregam os terroristas que deveriam entregar. Não podem enganar-nos duas vezes”, realçou Erdogan, numa conferência de imprensa conjunta com o homólogo argelino, Abdelmajid Tebboune, em Ancara.

O Governo de Ancara já revelou que vai bloquear candidaturas de países que tenham imposto sanções à Turquia. Em 2019, Suécia e Finlândia decretaram um embargo de armas à Turquia, após a sua incursão na Síria. Adesão da Finlândia e da Suécia

Helsínquia formalizou a intenção de aderir à NATO no domingo. Oslo juntou-se-lhe entretanto, num movimento que acabará com o não-alinhamento militar secular dos dois países.

Segundo a primeira-ministra sueca, Magdalena Andersson, “a NATO irá fortalecer a Suécia, e a Suécia irá fortalecer a NATO".

Magdalena Andersson considera que, com a invasão russa da Ucrânia, a Europa está a viver uma nova e perigosa realidade. “Estamos a deixar uma era para trás e a entrar numa nova era”, reforçou.
O anúncio da Suécia chegou numa altura em que a NATO iniciou um dos maiores exercícios na região do Báltico, que envolve 15 mil militares. Intitulado de “Hedgehog” (Porco Espinho), os exercícios na Estónia envolvem dez países, incluindo Finlândia e Suécia.
No entanto, Andersson salientou que não queria bases permanentes da NATO ou armas nucleares na Suécia.

Apesar das reticências turcas para a adesão das duas nações escandinavas, vários Estados-membros da Aliança Atlântica – como a Noruega, Dinamarca e Islândia – afirmaram-se prontos para apoiar a Suécia e a Finlândia com todos os meios necessários caso fossem atacadas.

O Reino Unido, também membro da NATO, já deu garantias de segurança à Suécia e à Finlândia durante o período de transição.
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