"Não sei se vou voltar à minha casa". RTP falou com portuguesas desalojadas devido às chamas em Bordéus

"Não sei se vou voltar à minha casa". RTP falou com portuguesas desalojadas devido às chamas em Bordéus

A RTP falou com portuguesas instaladas temporariamente num centro de exposições em Bordéus, numa altura em que dezenas de milhares de pessoas foram retiradas de casa devido aos incêndios. As chamas já consumiram 42 mil hectares nesta zona de França.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Florion Goga - Reuters

A portuguesa Ana Leonor descreveu a situação como “muito stressante”, especialmente por ter crianças pequenas. “Tivemos de meter só o essencial numa mochila e sair”, contou.

As autoridades não dão previsões de regresso a casa. Pode ser “um dia, dois, uma semana”, disse esta desalojada à RTP. “Dizem que enquanto o fogo não conseguir ser controlado” não podem voltar, acrescentou.

A irmã, Joana, contou que “foi tudo muito rápido e ao mesmo tempo muito assustador”.

Os serviços franceses “têm sido muito atenciosos, muito simpáticos, principalmente com as famílias que têm crianças”, disse esta portuguesa. “Vêm de cinco em cinco minutos perguntar se precisamos de alguma coisa”.

A mãe de Ana Leonor e Joana afirmou, por sua vez, que “não se sabe quando voltaremos ao trabalho e à vida normal”.

“Não sei se vou voltar à minha casa”, lamentou. “Nunca pensei na minha vida passar o que estou a passar”.

França enfrenta fogos de dimensão histórica. Esta noite foram retiradas de casa, em Gironda, mais 55 mil pessoas. Ao todo são já mais de 220 mil os residentes que tiveram de abandonar as habitações.

Pelo menos 140 casas foram atingidas pelas chamas, numa altura em que cerca de 42 mil hectares de floresta e mato estão reduzidos a cinzas na zona de Bordéus.

Os ventos fortes alimentaram as chamas durante a noite, acelerando a propagação do incêndio que está fora de controlo desde meados da semana, segundo um comunicado das autoridades.
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