NATO. Presidente ucraniano reforçou em Ancara o pedido para mais sistemas de defesa antiaérea

NATO. Presidente ucraniano reforçou em Ancara o pedido para mais sistemas de defesa antiaérea

Volodymyr Zelensky pede urgência no desenvolvimento destas capacidades na Europa.

Andrea Neves, enviada especial da RTP Antena 1 a Ancara / Adicionar como fonte informativa
Reuters

O Presidente ucraniano marcou presença no Fórum da Indústria de Ancara. Volodomyr Zelensky pediu mais sistemas de defesa aérea e garantiu que a Ucrânia pode contribuir para a defesa da Europa com a tecnologia que desenvolveu no que se refere aos drones.

Na capital turca, o líder ucraniano deixou ainda uma pergunta: faz sentido deixar a Ucrânia, com esta tecnologia, fora da NATO.

Mais sistema de defesa antiaérea: o pedido renovado de Zelensky

“Precisamos de mais patriots. Também já discutimos licenças de produção para patrocinadores com os nossos parceiros americanos e peço-lhes que apoiem os nossos esforços para que isso aconteça”. Foi este o apelo deixado por Zelelnsky em Ancara”.

“Enquanto esta guerra continua, por favor ajudem-nos a obter mais mísseis de defesa aérea. Esta é a nossa principal prioridade neste momento”.
Somos capazes de fazer tudo o resto sozinhos. Mas, quando se trata de defesa aérea, precisamos da determinação dos nossos parceiros. Por favor, façam com que mais determinação e mais decisões para a defesa aérea sejam um dos principais resultados desta cimeira da NATO em Ancara”.

Drones por patriots
O Presidente ucraniano assegura que a “a guerra mudou fundamentalmente” e que há “mudanças revolucionárias na própria natureza da guerra. e que hoje em dia são precisos mais drones, porque estão a marcar os cenários de conflito”.

Por isso se o Presidente ucraniano pede aos Aliados mais sistemas de defesa antiaérea, também está disposto a contribuir para a defesa da Europa com mais drones e tecnologia ucraniana.

“Hoje, os drones e a própria tecnologia de combate à distância representam uma mudança revolucionária na tecnologia, na tecnologia da guerra. Assim, na Ucrânia, enquanto defendemos as nossas posições na linha da frente e o fazemos numa guerra de autodefesa totalmente justificada, estamos a eliminar cerca de 30.000 soldados russos por mês”.

“Imaginem esta escala. Só em junho, quase 28.000 soldados russos foram eliminados. E temos confirmação em vídeo para cada um deles. A grande maioria dos alvos foi atingida por drones”.

“E, francamente, não nos orgulhamos disso. Estamos a testemunhar como é o mundo moderno: uma guerra que não iniciámos, mas na qual somos obrigados a lutar para defender o nosso país, o nosso povo, as nossas crianças todos os dias. Esta guerra resulta também na destruição de uma enorme quantidade de equipamento, logística e instalações militares inimigas. E, mais uma vez, a maior parte disto é feito com drones”.

Volodymyr Zelensky quis fazer uma revisão das capacidades dos sistemas aéreos não tripulados às empresas, aos investidores e aos representantes governamentais presentes no Fórum desta terça-feira.

“Ao mesmo tempo, estamos a conduzir uma campanha para garantir a segurança do Mar Negro utilizando os nossos drones navais. Estes drones não são apenas plataformas de ataque utilizadas para destruir navios de guerra russos no mar. Os nossos drones navais já evoluíram para plataformas multifuncionais capazes de lançar ataques a partir do mar contra diferentes alvos em terra e no ar”.
“E estamos a lutar nos céus em duas frentes principais: defendendo a Ucrânia dos ataques russos e implementando as nossas sanções de longo alcance contra a Rússia por esta guerra, juntamente com a nossa campanha de pressão de médio alcance em toda a extensão dos territórios temporariamente ocupados da Ucrânia”.

“Acima de tudo, com os nossos drones, estabelecemos a capacidade de ataque. Em toda a extensão do território ocupado. Aumentámos a nossa taxa de interceção contra drones russos para mais de 90%. Isto significa milhares de drones de ataque russos abatidos todas as semanas.
E, com todo o respeito, nenhum outro país tem a capacidade de se defender contra drones de ataque a esta escala. A realidade desta guerra obrigou-nos a construí-la. E hoje defendemo-nos contra centenas, centenas de ataques com drones todos os dias e noites, e milhares todas as semanas e todos os meses. O sector de defesa da Ucrânia está a construir esta capacidade mesmo no meio de uma guerra de grande escala. E também mantemos uma elevada taxa de interceção de mísseis de cruzeiro, graças à forma como construímos a nossa defesa aérea".

A Ucrânia possui a maior e mais avançada capacidade de guerra com drones do mundo, e estamos a oferecer estas capacidades aos nossos parceiros através da iniciativa Drone Deal. Estou grato a todos os que já aderiram a esta iniciativa e aos que estão a aderir. Não se trata apenas de comprar drones, mas também de coprodução, acesso prioritário aos meios de proteção de infraestruturas críticas, defesa aérea e, claro, cooperação em matéria de segurança”.


A Ucrânia NATO: um provedor de serviços de segurança

Nesta cimeira a Ucrânia vai ser reconhecida como um parceiro ainda mais próximo e como um provedor de serviços de segurança.
É a prova de que os Aliados reconhecem e confiam nas capacidades tecnológicas da Ucrânia.
 
Por isso o Presidente ucranaiano deixou uma pergunta em Ancara.

  • “Mas tenho uma pergunta para lhes fazer: acreditam mesmo que seria correto vivermos fora da NATO, um país e um povo com este nível de capacidade defensiva? Volodymyr Zelensky, Presidente da Ucrânia.
“Se já temos estas capacidades, se os ucranianos já sabem como lutar assim, então faz sentido que estas capacidades passem a fazer parte da defesa coletiva da Aliança. Isso tornar-nos-ia a todos mais fortes, e já nos vemos como parceiros de confiança, e seria natural tornarmo-nos parte de uma comunidade de segurança comum”.

O líder ucraniano assegura que Kiev eliminou “completamente a própria ideia de a Rússia ter um rearme estratégico”.
 
“Durante muito tempo a Rússia acreditava ter uma vantagem territorial, que ninguém possuía uma retaguarda tão profunda, onde mantinha em segurança a produção militar, o equipamento militar e tudo o resto. A guerra dependia da crença de que ninguém os poderia alcançar. E nós alcançamo-los”.

“Ainda ontem, drones ucranianos romperam as defesas da Rússia e atingiram uma refinaria de petróleo russa na Sibéria. E isto não é exceção. É a nova realidade. E já não há nenhuma grande refinaria de petróleo na Rússia que não tenha sido atingida pela Ucrânia.

  • “Quero enfatizar isto: ao contrário de Putin, não estamos a travar esta guerra por prazer ou por geopolítica", Volodymyr Zelensky, Presidente da Ucrânia

"A Rússia trouxe esta guerra para a Ucrânia e está a matar o nosso povo. Ela quer destruir a nossa independência. E nós estamos apenas a defender-nos, desde o primeiro dia desta guerra”.





PUB