Nazi Josef Mengele não se arrependeu da morte de judeus - Imprensa

Nazi Josef Mengele não se arrependeu da morte de judeus - Imprensa

O médico nazi Josef Mengele não manifestou arrependimento pela morte de cerca de 400 mil judeus na II Guerra Mundial, revelam 85 documentos inéditos sobre a sua vida no Brasil, publicados hoje pelo jornal Folha de São Paulo.

Agência LUSA /

Em Janeiro de 1976, Mengele registou no seu diário que estava a ler as memórias de Albert Speer (1905-1981), no qual o arquitecto de Adolf Hitler se mostra arrependido e reconhece seus erros.

"Ele (Speer) se diminuiu, mostra arrependimento, o que é lamentável", escreve o médico nazi.

Os documentos revelam ainda que, para manter segredo da sua verdadeira identidade, o médico alemão evitava viajar pelo Brasil, o que o obrigou a passar os últimos anos da sua vida deprimido e solitário.

Chefe do serviço médico do campo de concentração de Auschwitz (Polónia), entre 1943 e 1945, Mengele usou prisioneiros judeus como cobaias em experiências para comprovar a suposta superioridade da raça ariana.

As suas práticas cruéis levaram à morte cerca de 400 mil judeus e o médico nazi passou a ser conhecido como "anjo da morte".

Josef Mengele tornou-se um foragido em Maio de 1945, quando a Alemanha assinou a rendição.

O médico viveu secretamente, por quatro anos, como um camponês, na região da Baviera, mudando para a Argentina em 1949 e, depois de dez anos, foi para o Paraguai.

Depois de ser descoberto pelo governo alemão, Mengele fugiu para o Brasil, usando documentos falsos.

O médico nazi (1911-1979) viveu os últimos 19 anos da sua vida no Brasil, com identidade falsa, em regiões próximas da cidade de São Paulo.

Josef Mengele, um dos criminosos alemães de guerra mais procurados, morreu afogado em 1979, na cidade de Bertioga, litoral do Estado de São Paulo.

A história do exílio secreto do médico alemão foi descoberta apenas em 1985, quando um teste de ADN comprovou que os restos mortais encontrados pela Polícia brasileira eram mesmo de Josef Mengele.

Os documentos tornados públicos hoje pela reportagem do jornal Folha de São Paulo foram encontrados pela Polícia Federal, em 1985, durante uma operação na antiga residência do médico alemão, em São Paulo.

Os documentos encontrados nos arquivos da Polícia Federal brasileira, sobre o período em que o médico viveu no Brasil, mostram que Josef Mengele atribuiu a "indiscutível" produção intelectual de judeus à convivência com povos de "alto nível cultural".

"Pelo estudo dos problemas da mistura das raças é preciso que o povo judeu receba um olhar especial. Nascido inicialmente da mistura de raças da Ásia Menor e do Oriente, ao longo de sua migração de milhares de anos este povo recebeu elementos de raças europeias e negróides", lê-se no diário.

"Pode-se perceber facilmente que seus representantes +acima da média+ (intelectualmente) sempre e sem excepção viviam com povos que possuíam um alto nível cultural", diz o médico, ao citar como exemplos Albert Einstein, que viveu na Alemanha, Espinosa (Holanda-Espanha), Mendelssohn (Alemanha) e outros.

"Parece que o componente do povo hospedeiro parece ter desempenhado papel decisivo. Desses, parece que o alemão foi o mais efectivo", refere o diário.

Josef Mengele salienta ainda que "nem todas as raças conseguiram a mesma posição cultural, o que nos força a concluir que nem todos os povos têm o mesmo dom criativo".

"Na raça nórdica, isso pode ser constatado de forma clara. É possível convencer-se disso tomando simplesmente as figuras mais importantes da história ocidental", escreve o médico nazi.

Josef Mengele salienta em outra parte de seu diário que uma produção cultural acima da média e formas de vida mais civilizadas foram alcançadas quando os imigrantes europeus não se misturaram.

"Na África do Sul, isso foi possível. O apartheid é a forma eficaz e a única de impedir a miscigenação", lê-se num outro trecho dos escritos de Mengele.

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