Negociações de paz "num impasse" diz Presidente finlandês
O Presidente finlandês, Alexander Stubb, aliado próximo dos Presidentes norte-americano, Donald Trump, e ucraniano, Volodymyr Zelensky, considerou que as conversações de paz lideradas por Washington sobre a Ucrânia estão "num impasse", numa entrevista hoje publicada.
"Tal pode dever-se à guerra no Irão, que está a desviar significativamente as atenções da guerra na Ucrânia. Mas também é possível que as negociações estejam num impasse porque chegaram a um beco sem saída e já não podem avançar mais", declarou Stubb, na entrevista concedida ao diário norueguês VG.
"Penso que os negociadores norte-americanos fizeram tudo o que podiam, e o cerne da questão reside agora numa única questão: Donetsk e os territórios. Mas o grande problema é que não creio que a Rússia queira a paz", observou.
O chefe de Estado finlandês esclareceu hoje as suas declarações, sublinhando que as negociações estão "em ponto morto, mas não interrompidas".
"Queremos que prossigam", sublinhou Stubb numa conferência de imprensa, após uma reunião de líderes dos Estados-membros da Força Expedicionária Conjunta (JEF, na sigla em inglês) em Helsínquia.
Também presente na capital da Finlândia, o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, realçou que "os Estados Unidos estão a desempenhar um papel absolutamente essencial para levar as partes à mesa das negociações".
"Encorajamos igualmente os Estados Unidos a exercerem mais pressão sobre a Rússia", disse.
Por sua vez, o primeiro-ministro estónio, Kristen Michal, defendeu que a pressão, particularmente a pressão financeira, é a única forma de levar Moscovo para a mesa das negociações.
"Se não se privar a Rússia dos seus recursos financeiros, se não se exercer pressão sobre ela... A cortesia não funciona com a Rússia; é um sinal de fraqueza, aos seus olhos", sustentou Michal.
A cimeira da JEF -- aliança liderada pelo Reino Unido e composta por dez países do norte da Europa - centrou-se sobretudo nas formas de deter a "frota fantasma" da Rússia, petroleiros mais antigos que permitiram a Moscovo contornar as sanções ocidentais desde que iniciou a guerra na Ucrânia, em fevereiro de 2022.
Outros atores diplomáticos relataram recentemente um impasse semelhante nas negociações entre Moscovo e Kiev, também conduzidas sob os auspícios dos Estados Unidos.
A Ucrânia enviou uma delegação aos Estados Unidos no último fim de semana, numa tentativa de relançar o processo negocial, mas a iniciativa não produziu resultados imediatos.
"Infelizmente, ainda não há verdadeiros progressos", declarou na terça-feira Zelensky, depois de se reunir com a sua equipa negocial regressada das conversações.
"A Rússia não quer comprometer-se com o caminho da paz", acrescentou.
A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e "desnazificar" o país vizinho, independente desde 1991 - após o desmoronamento da União Soviética - e que tem vindo a afastar-se da esfera de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.
A guerra na Ucrânia já provocou dezenas de milhares de mortos de ambos os lados, e os últimos meses foram marcados por ataques aéreos em grande escala da Rússia a cidades e infraestruturas ucranianas, ao passo que as forças de Kiev têm visado alvos militares em território russo e na península da Crimeia, ilegalmente anexada por Moscovo em 2014.
No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda quatro regiões -- Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia - além da península da Crimeia anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO.
Estas condições -- constantes do plano de paz apresentado por Trump para solucionar o conflito - são consideradas inaceitáveis pela Ucrânia, que exige que os aliados europeus lhe forneçam sólidas garantias de que não voltará a ser alvo de ataque.