Nelson Mandela e Desmond Tutu evocam mensagem ecuménica de João Paulo II
O ex-presidente sul-africano Nelson Mandela e o arcebispo anglicano Desmond Tutu evocaram hoje a mensagem de João Paulo II, que morreu sábado no Vaticano, em defesa dos pobres e da união entre diferentes religiões.
Em comunicado, Mandela afirma que "o sumo pontífice foi uma voz consistente que articulou a necessidade de regeneração moral com a a atenção aos pobres e aos marginalizados".
"Ao mesmo tempo celebramos a vida de um dos grandes líderes espirituais do nosso tempo, daquele que deu orientação moral num período em que o progresso científico e tecnológico nem sempre foi acompanhado por idêntico progresso em compaixão e cuidados individuais", refere o comunicado, distribuído pela Fundação Nelson Mandela.
O arcebispo anglicano Desmond Tutu salienta o papel decisivo do chefe da Igreja católica na luta contra o "apartheid" e evoca os seus vários encontros com João Paulo II ainda quando vigorava na África do Sul aquele sistema de segregação racial.
João Paulo II "sempre se manifestou contra o sistema económico internacional, injusto, que beneficia alguns e condena outros a viver na pobreza, privação e miséria, um solo fértil para cultivar o terrorismo", afirma o prémio Nobel da paz.
Ao lembrar que João Paulo II foi um bastião na luta contra o comunismo na Polónia, Tutu enaltece os esforços do Papa para unir as diferentes religiões do mundo e o profundo respeito que sempre mostrou por pessoas de diferentes crenças.
Apesar de se afirmar surpreendido por João Paulo II nunca ter apoiado a teologia da libertação e a ordenação das mulheres, Tutu não deixa de saudar o grande contributo do chefe da Igreja católica para a criação de um mundo mais justo.
"Damos graças a Deus por um bom e fiel servo que ajudou a que todos passassem a levar a religião a sério", conclui Tutu.