Netanyahu elogia forças israelitas por "execução impecável de missão sagrada"
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, elogiou hoje as forças israelitas pela "execução impecável" da recuperação dos restos mortais de Ran Gvili, o último refém na Faixa de Gaza, que descreveu como uma "missão sagrada".
A descoberta e identificação dos restos mortais do polícia israelita, morto nos ataques liderados pelos islamitas do Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, foram anunciadas hoje pelas forças militares, ao fim de uma operação de buscas em grande escala no norte da Faixa de Gaza.
"Meus amigos, colegas do Knesset, libertámos Ran Gvili, um herói de Israel. Já não há reféns em Gaza", declarou Netanyahu durante uma sessão especial no parlamento de homenagem ao primeiro-ministro albanês, Edi Rama.
O chefe do Governo felicitou os comandantes e soldados das Forças de Defesa de Israel e do Shin Bet (serviço de informações internas) pela "execução impecável desta missão sagrada".
Expressou também gratidão ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao enviado da Casa Branca, Steve Witkoff, e a Jared Kushner, genro do líder norte-americano e também envolvido nas negociações de paz na Faixa de Gaza, "pelo seu tremendo apoio".
O primeiro-ministro referiu-se ainda ao `pin` de fita amarela que simboliza os apelos para a libertação dos reféns em cativeiro no território palestiniano e que foi usado durante mais de dois anos por familiares e líderes políticos, tanto da oposição como do Governo.
"Todos nós usámos o `pin`, e agora que a missão terminou, é tempo de o tirar. Porque os filhos voltaram para as suas casas, e as filhas também", afirmou Netanyahu, acrescentando: "Concluímos esta missão, como prometi, e também concluiremos as outras tarefas que definimos para nós próprios".
"Estamos no início da próxima etapa. Qual é a próxima etapa? A próxima etapa é o desarmamento do Hamas e a desmilitarização da Faixa de Gaza. A próxima etapa não é a reconstrução, mas sim o desarmamento do Hamas e a desmilitarização da Faixa de Gaza", afirmou ainda o líder israelita.
O Presidente israelita, Isaac Herzog, num vídeo publicado no seu canal oficial, surge também a retirar a fita amarela do casaco, bem como flores, fotografias e faixas do seu gabinete que ainda guardava em homenagem a Gvili.
O corpo foi hoje encontrado num cemitério muçulmano numa zona da cidade de Gaza controlada pelo exército israelita, onde as forças israelitas realizavam buscas há dois dias com maquinaria pesada.
Ran Gvili tinha dupla nacionalidade, israelita e portuguesa, segundo a Comunidade Judaica do Porto, através do seu órgão The Portuguese Jewish News na notícia hoje dedicada à descoberta do corpo do refém.
Estava ao serviço das Forças Especiais da Polícia israelita, quando foi morto com 24 anos em combate na manhã de 07 de outubro de 2023, no `kibutz` Alumim, tendo o corpo sido levado por combatentes palestinianos para a Faixa de Gaza.
Militantes do Hamas e da Jihad Islâmica mataram cerca de 1.200 pessoas nos ataques e raptaram 251 nas primeiras horas daquele dia, depois de se terem infiltrado em território israelita.
O repatriamento dos reféns era um dos compromissos do Hamas na primeira fase do acordo de trégua proposto pelos Estados Unidos e restantes mediadores internacionais (Egito, Qatar e Turquia).
Nas primeiras horas da entrada em vigor do entendimento, em 10 de outubro de 2025, os islamitas palestinianos entregaram todos os 20 reféns vivos, mas os corpos dos restantes foram sendo devolvidos gradualmente, devido a alegadas dificuldades na localização entre os escombros do território devastado em dois anos de guerra.
Em troca, Israel entregou centenas de corpos e prisioneiros palestinianos e iniciou uma retirada militar parcial da Faixa de Gaza, a par do compromisso da entrada de ajuda humanitária no território.
As próximas etapas do acordo, que resistiu a mais de três meses de acusações cruzadas de sucessivas violações, prevê a criação de um governo palestiniano tecnocrático de transição, cuja composição foi já anunciada, bem como a desmilitarização do Hamas e a reconstrução completa do enclave, além do desarmamento de todo o pessoal não autorizado.
Em retaliação aos ataques do Hamas em outubro de 2023, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave palestiniano, que provocou mais de 71 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo grupo islamita, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.