Nigéria abre inquérito a pelo menos 56 mortos civis em ataque áereo das Forças Armadas
A Nigéria anunciou hoje a abertura de uma investigação após um ataque aéreo ter causado pelo menos 56 mortos num mercado muito movimentado da aldeia de Jilli, no nordeste do país, no sábado.
"O governo federal ordenou uma investigação completa e independente sobre o incidente, que irá analisar os dados de inteligência, a identificação do alvo e a execução da operação; iremos corrigir as falhas e assegurar que as responsabilidades sejam apuradas, se for o caso", declarou o ministro da Informação, Mohammed Idris, num comunicado citado pela agência francesa de notícias, a France-Presse (AFP).
Os ataques aéreos do exército nigeriano já causaram a morte de civis no passado. As investigações que se seguem geralmente não conduzem a nenhum resultado concreto.
Não é a primeira vez que os ataques aéreos das forças armadas da Nigéria causam mortes de civis, mas as investigações geralmente não levam a nenhum resultado, salienta a AFP.
A Amnistia Internacional referiu "mais de 100 mortos" no mercado da aldeia de Jilli, enquanto um relatório de segurança falava em "56 mortos" e um líder local apontou para "200 mortos e feridos".
O país mais populoso de África enfrenta há 17 anos uma insurreição jihadista, desencadeada em 2009 pela violência do Boko Haram e também alimentada por poderosas fações dissidentes, como o grupo Estado Islâmico na África Ocidental (ISWAP).
Nos últimos 15 dias, mais de 100 pessoas foram mortas no norte do país por jihadistas e bandos criminosos, chamados de "bandidos", que intensificaram desde o ano passado os seus ataques contra bases militares e aldeias nessas regiões próximas do Sahel.