No Nepal líder maoísta apela ao diálogo imediato
O líder da guerrilha maoísta nepalesa apelou hoje ao diálogo pela paz, com o governo, o mais depressa possível, embora advertindo que os rebeldes poderão voltar a pegar nas armas, se for necessário.
"Quanto mais tempo passar, mais difícil será", afirmou Pushpa Kamal Dahal, aliás Prachanda, numa entrevista ao semanário Nepal.
"Queremos que o país entre numa nova era através de um processo político pacífico, mas estamos dispostos a bater-nos até ao fim se o exército do rei se meter em conspirações", advertiu.
O novo governo interino nepalês decretou na passada quarta-feira um cessar-fogo nas hostilidades com os rebeldes que, na semana precedente, tinham anunciado unilateralmente a mesma medida, por três meses.
É a terceira vez que governo e guerrilha apelam reciprocamente ao cessar-fogo, visando o início de negociações para a paz. A última data de Janeiro de 2003, mas só durou meses.
O ministro do Interior, Krishna Prasad Situala, admitiu que as conversações entre as partes poderão ter início em breve, com o apoio do chefe do governo, Girija Prasad Koirala, que enviará um convite a Prachanda.
Os maoístas lançaram a sua "guerra popular" em 1996, visando derrubar a monarquia do rei Gyanendra e substituí-la por um regime inspirado no líder histórico chinês Mao Tse Tung, saldada até à data em pelo menos 12.500 mortos.