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Nova erupção do Merapi mata mais de 120 pessoas

Nova erupção do Merapi mata mais de 120 pessoas

O gás e as cinzas expelidos pelo vulcão do Monte Merapi, na Indonésia, provocaram mais de 120 vítimas mortais, 77 das quais nas últimas 24 horas. O presidente declarou a erupção do Merapi de “desastre nacional” e prometeu “medidas extraordinárias”. Os vulcanólogos já consideram que esta é a pior erupção em um século e, pelo aumento da pressão de gás sobre a montanha, admitem uma erupção de grande intensidade para breve.

RTP /
A nuvem de cinzas cobriu a cidade de Yogyarta, a cerca de 30 quilómetros Adi Weda, EPA

O Merapi está há 10 dias a lançar gás e cinzas, o que criou uma nuvem de fumo a seis mil metros de altitude e motivou o encerramento até amanhã do aeroporto de Yogyarta, no centro da Ilha de Java. Esta é uma das regiões com maior densidade populacional no país.

Ao longo da semana, as autoridades têm alargado a zona de segurança. Inicialmente, deveriam abandonar as suas casas aqueles que moravam num raio de 10 quilómetros, depois 15 quilómetros e, a partir de hoje, nos 20 quilómetros adjacentes.

O presidente Susilo Bambang Yudhoyono, que hoje visitou a região, anunciou o envio de dois mil soldados para participar em operações de resgate. A saída abrupta dos moradores e as operações de resgate, cuja organização é criticada pelos populares, provocou um cenário caótico nas localidades.

Mais de 75 mil pessoas tiveram de abandonar as habitações na última semana, às quais diariamente se deslocam para alimentar animais. Para evitar a exposição continuada e o risco de vida, o Governo de Jacarta anunciou a intenção de compra do gado, tendo disponibilizado para o efeito 11 milhões de dólares.

“Parecia uma paisagem do fim do mundo. O ar estava irrespirável, só víamos em torno de alguns metros”, descreveu à France-Press um escritor francês a viver na região há vários anos. Quem toma a iniciativa de sair de casa é acolhido em escolas, edifícios do Estado e até no estádio de Yogyarta.

Os habitantes da localidade de Argomulyo, a 18 quilómetros da cratera, também foram surpreendidos pelas nuvens de cinzas e de chuva ácida, contou um médico da polícia, que dava conta da morte de muitas crianças.

Novo balanço
Em Jacarta, um porta-voz dos serviços de socorro revela os números mais recentes. “O balanço dos mortes da erupção na noite passada cresce para 77 e o balanço total desde a primeira erupção, a 26 de Outubro, é de 120 mortos”.

Pelo menos 156 pessoas registaram ferimentos, na maior parte queimaduras, mas também com problemas respiratórios, cortes e ossos partidos. Os feridos esperam tratamento no pequeno hospital de Sardjito, onde os corpos se acumulam na morgue.

Pior erupção do século

A erupção desta sexta-feira, que começou pouco após a meia-noite, foi a mais forte desde o início desta fase de actividade, marcada por dúzias de explosões, observou o vulcanólogo Surono. “Os habitantes devem sair sem demora”, insistiu.

Até os especialistas que fazem a monitorização do vulcão tiveram de fazer as malas, além de reparar quatro dos cinco sismógrafos entretanto danificados pela fuligem.

Ao contrário das previsões dos especialistas a 26 de Outubro, que marca o início desta fase eruptiva, a acção do Merapi tem aumentado de intensidade. Verifica-se o aumento da pressão de gás no interior da montanha, o que leva a esperar uma erupção de grande violência para breve. Os vulcanólogos deixaram de avançar com previsões para o comportamento do vulcão.

“Em virtude da quantidade de materiais vulcânicos expelidos, esta erupção é pior do que a de 1930”, que provocou mais de 1400 mortes, acrescentou o vulcanólogo Subandrio. Em 1994, morreram seis dezenas de pessoas. No total, as erupções do Merapi no último século vitimaram mais de 1500 pessoas.
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