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Nova variante de Ébola na RD Congo ainda sem vacina nem tratamento
O documento, divulgado em Genebra à margem da Assembleia Mundial da Saúde, conclui que os surtos de doenças infecciosas estão a tornar-se mais frequentes, mais destrutivos e mais difíceis de controlar, enquanto os investimentos em preparação sanitária não acompanham o aumento do risco global.
Criado pela Organização Mundial da Saúde e pelo Banco Mundial, o painel independente afirma que fatores como tensões geopolíticas, degradação ambiental, aumento das viagens internacionais e redução da ajuda ao desenvolvimento estão a fragilizar a capacidade de resposta dos países.
O relatório analisa uma década de emergências sanitárias internacionais, do Ebola na África Ocidental à Covid-19 e à mpox, e conclui que o acesso equitativo a vacinas, testes e tratamentos piorou nos últimos anos. As vacinas contra a mpox chegaram aos países pobres quase dois anos após o início do surto, mais tarde do que aconteceu com a Covid-19.
Os especialistas alertam também para impactos políticos e sociais duradouros, incluindo perda de confiança nas instituições, polarização e ataques à ciência, fatores que tornam as sociedades menos preparadas para futuras crises.
A copresidente do painel, Kolinda Grabar-Kitarovi%u0107, afirmou que o mundo "não carece de soluções", mas sim de confiança, cooperação e liderança política.
O Conselho defende três prioridades urgentes:
- criar um sistema independente de monitorização do risco pandémico;
- garantir acesso mais justo a vacinas e tratamentos;
- reforçar o financiamento para prevenção e resposta rápida a surtos.
O painel considera que as negociações em curso sobre o futuro acordo pandémico da OMS serão um teste decisivo à capacidade de cooperação internacional antes da próxima grande crise sanitária.
Relatório - The World on the Edge: 2026 Report - disponível em:
https://gpmb.org/reports/report-2026