Nova Zelândia e Ilhas Cook assinam acordo de defesa face à influência da China
A Nova Zelândia e as Ilhas Cook assinaram hoje uma declaração conjunta de defesa e segurança destinada a reforçar a sua relação estratégica, num contexto marcado pela crescente presença da China no Pacífico.
O acordo, firmado na capital das Ilhas Cook, Avarua, pretende "estabelecer um rumo conjunto para o futuro" e clarificar as responsabilidades mútuas em matéria de segurança, indicou o ministro dos Negócios Estrangeiros neozelandês, Winston Peters, num comunicado oficial do Governo.
As Ilhas Cook, pequeno arquipélago com cerca de 17 mil habitantes situado no Pacífico Sul entre a Nova Zelândia e a Polinésia Francesa, mantêm um estatuto de livre associação com Wellington desde 1965. Tal implica autogoverno interno, mas com fortes ligações em defesa, política externa e cidadania.
O novo entendimento surge após meses de tensões bilaterais, desencadeadas por um acordo estratégico que as Ilhas Cook assinaram com Pequim em 2025, o que gerou preocupação em Wellington e levou mesmo à suspensão parcial da ajuda financeira neozelandesa.
Segundo o comunicado oficial, a declaração hoje firmada estabelece compromissos-chave, como a obrigação das Ilhas Cook de consultarem a Nova Zelândia em matérias de defesa e segurança, bem como de evitarem acordos com terceiros que possam pôr em causa a relação bilateral.
Em contrapartida, Wellington reafirma o seu papel como principal parceiro na defesa do arquipélago e compromete-se a reforçar a cooperação militar e estratégica.
O acordo também normaliza as relações, incluindo a retoma do financiamento neozelandês, suspenso em 2025 no contexto das divergências.
Peters sublinhou que o atual ambiente estratégico é "mais complexo e disputado do que em qualquer outro momento" desde que ambos os territórios estabeleceram a sua relação de livre associação, refletindo a crescente competição geopolítica na região.
Nos últimos anos, a China tem intensificado a presença no Pacífico através de acordos de infraestruturas, comércio e segurança com vários países insulares, o que tem gerado preocupação em potências que tradicionalmente detinham maior influência na região, como a Nova Zelândia e a Austrália.
Entre os marcos mais relevantes destaca-se o pacto de segurança entre Pequim e as Ilhas Salomão em 2022, bem como acordos estratégicos mais recentes com países como as Ilhas Cook, que incluem cooperação na economia marítima, mineração submarina e desenvolvimento portuário.
Perante este avanço, a Austrália e a Nova Zelândia reforçaram a presença no Pacífico através de acordos de segurança, ajuda ao desenvolvimento e cooperação climática.
Camberra tem promovido tratados bilaterais, como um acordo com Tuvalu, que inclui garantias de segurança e vias de migração climática, e com a Papua-Nova Guiné, país com o qual assinou em 2025 um tratado de defesa.