Novas imagens de satélite estimam quase 3.000 km2 inundados no sul de Moçambique

Novas imagens de satélite estimam quase 3.000 km2 inundados no sul de Moçambique

Uma análise a novas imagens de satélite feita pelas Nações Unidas estimou em quase 3.000 quilómetros quadrados (km2) a área de terrenos inundados apenas no sul de Moçambique, devido às chuvas e cheias das últimas semanas.

Lusa /

Um relatório a que a Lusa teve acesso, do Centro de Satélites das Nações Unidas (UNOSAT), com imagens de satélite (Sentinel-1) recolhidas em 23 de janeiro, analisou numa área total de 43.437 km2, nas províncias de Gaza e Maputo, e na cidade de Maputo, no sul.

Dessa área total, refere-se, 2.916 quilómetros quadrados "parecem estar afetados por inundações", representando uma exposição "potencial" às cheias de 228.834 pessoas que vivem nas zonas afetadas, embora se sublinhe que estes dados carecem de verificação no terreno.

Anteriormente, já neste período de fortes e ininterruptas chuvas em Moçambique, uma outra análise de imagens de satélite pela UNOSAT, de 05 de janeiro, estudou uma área total de 24.991 km2, na província de Sofala, no centro do país. Dessa área total, 871 quilómetros quadrados pareciam afetados por inundações, numa exposição "potencial" às cheias de 7.300 pessoas.

Pelo menos 642.122 pessoas foram afetadas desde 07 de janeiro pelas cheias em Moçambique, registando-se ainda 12 mortos, segundo dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

De acordo com a base de dados do INGD, até às 15:50 (13:50 de Lisboa) de sexta-feira as cheias que se registam em vários pontos do país afetaram o equivalente a 139.708 famílias, com registo de 2.879 casas parcialmente destruídas, 757 totalmente destruídas e 71.560 inundadas.

Face ao balanço anterior, fechado oito horas antes, o número de pessoas afetadas aumentou em cerca de 35 mil.

Os dados do INGD referem ainda 45 feridos e quatro desaparecidos na sequência destas cheias em cerca de 15 dias, numa altura em que centenas de famílias continuam sitiadas, a aguardar resgate, sobretudo no sul de Moçambique.

Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as últimas duas semanas de cheias, já morreram 125 pessoas em Moçambique e 774.828 pessoas foram afetadas, segundo os dados do INGD.

Até 16 de janeiro era referido o total de 103 óbitos e 173 mil pessoas afetadas desde o início da época das chuvas em Moçambique (que vai de outubro a abril), avançou nesse dia o Governo, decretando de seguida o alerta vermelho nacional.

Segundo os dados mais recentes estão atualmente ativos 91 centros de acomodação, com 94.917 pessoas, incluindo 19.254 que tiveram de ser resgatadas. Na nova atualização, contabiliza-se que foram afetadas, desde 07 de janeiro, 203 unidades sanitárias e 155 escolas, três pontes e 1.321 quilómetros de estrada.

No registo do INGD aponta-se ainda para 181.005 hectares de área agrícola afetados, atingindo a atividade de 126.287 agricultores, além da morte de 58.621 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves.

Prosseguem ações e tentativas de resgate de centenas de famílias que continuam sitiadas pelas cheias, algumas refugiadas em telhados de casas, sobretudo em Maputo e Gaza, sul de Moçambique, resultado das fortes chuvas, que têm levado as barragens, incluindo dos países vizinhos, a realizarem fortes descargas, por falta de capacidade.

Estão envolvidos nestas operações, condicionadas pelo estado do tempo, mais de uma dezena de meios aéreos, incluindo da África do Sul, bem como embarcações privadas e da Marinha de Guerra.

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