Novo ciclo na Hungria. Tomada de posse de Péter Magyar vai terminar com festa de rua

Novo ciclo na Hungria. Tomada de posse de Péter Magyar vai terminar com festa de rua

Depois de quase duas décadas, o Parlamento da Hungria prepara o momento formal da posse de um novo primeiro-ministro, Péter Magyar. A convite do líder eleito, espera-se uma celebração no exterior aberta à população para assinalar a "mudança de regime", após 16 anos de Viktor Orbán no poder.

Inês Moreira Santos - RTP /
Remo Casilli - Reuters

É uma nova página na História da Hungria. Começa no sábado com a cerimónia formal do primeiro-ministro eleito no parlamento, seguida de uma festa na rua.

O conservador Péter Magyar toma posse como primeiro-ministro da Hungria, pondo fim a 16 anos de governação do nacionalista Viktor Orbán, marcadas por acusações de corrupção e violações ao Estado de Direito.

O novo parlamento húngaro realiza a sessão inaugural no sábado, marcando o início do Governo do conservador Péter Magyar. O novo líder do Executivo húngaro pretende acelerar o processo de transição, pelo que a formação do Governo poderá ser muito mais curta do que o esperado e os ministros escolhidos poderão tomar posse na próxima terça-feira.

Como tem afirmado várias vezes Magyar, "não há tempo a perder", querendo incicar o processo de desmantelamento da “democracia iliberal” e do "estado mafioso" de Orbán.

De acordo com o protocolo, Péter Magyar deverá prestar juramento pelas 15h00 locais e fará dois discursos: um aos deputados e outro aos apoiantes na Praça Kossuth, junto ao parlamento, onde se esperam milhares de pessoas.

Como sinal de "mudança de regime", o novo primeiro-ministro convidou os húngaros para uma celebração durante todo o dia de sábado, para assinalar a tomada de posse e o fim da era Orbán.

Numa publicação nas redes sociais, abriu o certame a todo o país: "Vamos atravessar a porta da mudança de regime com uma grande festa".

"Venham comigo, convidem a vossa família e amigos!"



O presidente da Câmara de Budapeste, o liberal Gergely Karácsony, também anunciou uma festa de "encerramento do sistema" ao longo do rio Danúbio, que divide a capital húngara - um evento que disse ser para mostrar gratidão aos húngaros que passaram anos a manifestar-se contra o regime de Orbán.

A cerimónia de tomada de posse terá, segundo se espera, momentos marcantes: a bandeira europeia será recolocada na fachada do parlamento húngaro, após ter sido removida em 2014; e espera-se que Krisztián Kőszegi se torne o primeiro vice-presidente cigano da Assembleia Nacional; e tomará posse um governo no qual mais de um quarto dos parlamentares serão mulheres – um recorde na história pós-comunista do país.

Há ainda outra novidade: quase todos os deputados do Tisza, partido que se estreia no parlamento, são novatos na política e foram escolhidos pelo líder do partido.

Magyar, um advogado de 45 anos e três filhos adolescentes, teve uma ascensão política meteórica.

C/agências
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