EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

Novo mapa mundial da malária assinala recuo do risco da doença

Novo mapa mundial da malária assinala recuo do risco da doença

Lisboa, 26 Fev (Lusa) - A forma mais grave de malária ameaça cerca de 35 por cento da população mundial (2.370 milhões), mas cada vez menos regiões correm esse risco, segundo um novo mapa mundial da doença hoje publicado.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

"Ficámos surpreendidos ao descobrir que um número importante de pessoas em todo o mundo corre um risco de infecção muito menor do que julgávamos", afirmou Simon Hay, da Universidade de Oxford (Reino Unido), um dos autores do "Malaria Atlas Project" (MAP).

Para Jorge Seixas, da Unidade de Ensino e Investigação de Clínica das Doenças Tropicais, do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) da Universidade Nova de Lisboa, os progressos alcançados em países emergentes como os do sudeste asiático, a Índia e o Brasil devem-se à intensificação dos esforços das autoridades para reduzir a transmissão da malária.

Entre essas medidas, resultantes da decisão política de cumprir as recomendações da Organização Mundial de Saúde, o especialista português salientou "o saneamento básico, a secagem de pântanos e outros projectos de engenharia ambiental, a educação em saúde, o diagnóstico precoce e o tratamento eficaz dos casos".

Erradicada em Portugal desde o final dos anos 60, a malária - também conhecida por "paludismo" ou "sezões" - é uma doença infecciosa, aguda ou crónica, causada pelo protozoário parasita Plasmodium faciparum, transmitido aos seres humanos através da picada do mosquito Anopheles.

Entre 1920 e 1942 chegou a causar a morte de 4.000 pessoas por ano em Portugal, sobretudo na zona de arrozais do vale do Sado, onde constituiu um grave problema de saúde pública.

O novo "atlas" mundial, o último em 40 anos, resultou de um trabalho conjunto de cientistas da universidade de Oxford, do Instituto de Investigação Médica do Quénia e do Instituto de Patógenos Emergentes da Universidade da Florida.

O mapa compila estatísticas de institutos nacionais de saúde de vários países, avisos de gabinetes de turismo, informações climáticas, variedades de mosquitos vectores da infecção e inquéritos sobre os casos de malária em quase 5.000 comunidades e 87 países.

De acordo com este trabalho, publicado pela revista científica norte-americana PLoS Medicine, registam-se anualmente 500 milhões de casos de malária, dos quais resultam mais de um milhão de mortes, sendo que 80 por cento das vítimas, na sua maioria crianças, vivem na África intertropical.

Jorge Seixas, que é o responsável pela consulta de aconselhamento a viajantes no IHMT, explicou à agência Lusa que essa zona de risco se estende para sul desde o Senegal, na costa oeste, e da Etiópia, na costa leste, até à África do Sul.

Segundo os autores do MAP, dos 2.370 milhões de pessoas em risco, cerca de mil milhões vivem em zonas de muito menor perigo de infecção do que se julgava, nomeadamente no centro e o sul da América, na Ásia e algumas partes de África, o continente mais afectado.

"Naturalmente, isso não quer dizer que a malária seja um problema sanitário menor, mas este mapa dá-nos a esperança de que a erradicação da infecção em certas regiões do mundo possa realizar-se através de meios tão simples e baratos como o recurso a mosquiteiros tratados com insecticidas", referiu Simon Hay.

O estudo foi financiado pela Welcome Trust, a maior organização de caridade britânica.

CM.


PUB