Novo movimento promove rota eleitoral para transição democrática na Venezuela
Várias organizações da sociedade civil venezuelana apresentaram publicamente o Movimento Quero Eleger (MQE), para promover uma rota eleitoral para a transição democrática, a realização de eleições competitivas, verificáveis, e com garantias para todos os atores políticos.
A proposta foi divulgada através de um "manifesto cidadão" que defende que "a recuperação institucional do país passa por devolver aos venezuelanos a possibilidade de eleger livremente as suas autoridades mediante processos eleitorais autênticos e transparentes".
O documento, divulgado na segunda-feira, sustenta que as mudanças políticas anunciadas nos últimos meses são insuficientes para dar resposta à crise de legitimidade, representação e confiança que a Venezuela enfrenta.
"A experiência acumulada ao longo de 27 anos deixou-nos lições que continuam atuais; por isso, não confiamos que os responsáveis pela destruição institucional, económica e social do país sejam os impulsionadores das mudanças de que a Venezuela necessita, mesmo que hoje mudem o discurso, entreguem antigos aliados ou pretendam que esqueçamos", explica o manifesto.
Segundo o documento, "a dor do povo venezuelano exige verdade, justiça e reparação, mas também a construção de uma liderança legítima que possa ser eleita por todos através de um processo eleitoral fiável, justo e competitivo".
O MQE explica que "eleger é um direito fundamental", que para legitimar os poderes públicos é preciso uma eleição presidencial, um novo parlamento que nomeie magistrados para o Supremo Tribunal de Justiça, assim como o Controlador-Geral (responsável pela auditoria dos gastos públicos), o Procurador-Geral, o Provedor de Justiça, um novo Conselho Nacional Eleitoral.
O movimento recordou também que a Assembleia Nacional nomeia as direções do Banco Central e da empresa estatal Petróleos da Venezuela SA.
No manifesto as organizações convocam os venezuelanos radicados no país e no estrangeiro a assumirem o compromisso de defender o direito a eleger.
Instam ainda a população a organizar-se, participar e exigir condições. Aos atores políticos exigem que construam acordos que conduzam a uma eleição real o quanto antes possível e à comunidade internacional pedem que acompanhe uma rota eleitoral com garantias verificáveis.
Entre as organizações que apoiam a iniciativa encontram-se a Transparência Eleitoral, o Centro de Justiça e Paz, o Observatório Global de Comunicação e Democracia, o Laboratório da Paz, a Ideias pela Democracia e a Voto Jovem.
Em 03 de janeiro, os EUA realizaram uma operação militar em Caracas, que levou à captura do então Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e da mulher, Cília Flores, que estão atualmente detidos em Nova Iorque para responder a acusações de tráfico de droga. Ambos se declararam inocentes.
Em 5 de janeiro, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu as funções de presidente interina do país iniciando uma transição política tutelada pelos EUA.