Novo tratamento contra a malária começa a ser utilizado na próxima semana

Novo tratamento contra a malária começa a ser utilizado na próxima semana

O Ministério da Saúde de Angola vai apresentar oficialmente quinta-feira um novo tratamento contra a malária, baseado na artimizina, cuja aplicação terá início na próxima semana para combater esta doença, que é a principal causa de morte no país.

Agência LUSA /

"Vamos realizar a cerimónia quinta-feira, no Hospital dos Cajueiros, em Luanda, para que todo o país saiba que temos que abandonar a cloroquina porque há muita resistência e têm ocorrido mortes desnecessárias", afirmou hoje o ministro angolano da Saúde, Sebastião Veloso.

Segundo o ministro, "uma investigação científica realizada em vários hospitais permitiu concluir que há uma resistência do plasmódio (agente transmissor da malária) à cloroquina, que é o medicamento com que se trata actualmente a malária".

Sebastião Veloso especificou que a taxa de resistência ao tratamento com cloroquina chega a atingir 60 por cento em algumas regiões do país, recordando que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a mudança de tratamento quando a resistência for superior 25 por cento.

Em função destes dados, o governo angolano, em colaboração com a OMS e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), realizou um estudo para avaliar qual o tratamento alternativo mais conveniente, tendo concluído pela utilização da artimizina.

"Numa primeira linha, vamos utilizar a artimizina e, na segunda linha, se a situação do doente se complicar, será utilizado o quinino, enquanto na terceira linha utilizaremos a hemodiaquina", referiu o ministro.

A malária é uma doença endémica nas 18 províncias de Angola, onde se registam anualmente mais de três milhões de casos.

Segundo dados do Programa Nacional de Controlo da Malária, cinco em cada dez crianças menores de cinco anos e duas em cada dez mulheres grávidas morrem devido à malária em Angola.

As estatísticas oficiais indicam ainda que oito em cada dez pessoas que recorrem às consultas nos postos e nos centros de saúde angolanos estão doentes com malária, que é a primeira causa de doença e de morte em Angola, sendo ainda o principal responsável pelo absentismo escolar e laboral.

Para inverter a situação, o Ministério da Saúde está a desenvolver uma campanha de informação sobre a malária junto da população, numa iniciativa para promover as medidas de prevenção desta doença, estando também a distribuir redes mosquiteiras tratadas com insecticidas de longa duração.

Esta distribuição começou em Julho de 2005 e deverá chegar ao final deste ano com 1,7 milhões de mosquiteiros distribuídos em todo o país.

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