Novo tratamento para combater a malária, principal causa de morte em Angola
As autoridades sanitárias angolanas estão a introduzir uma nova combinação terapêutica, baseada na artemisinina, para o tratamento da malária, doença que é a principal causa de morte em Angola, onde se registam anualmente cerca de 2,5 milhões de casos.
A malária, também designada por paludismo, provoca todos os anos cerca de 25 mil mortos em Angola, sendo as mulheres grávidas e os menores de cinco anos os grupos etários mais atingidos por esta doença, que é a principal causa de morte no país.
Os dados foram hoje referidos à Agência Lusa por Milton Saraiva, do Grupo Técnico Nacional de Controlo da Malária, à margem do curso de formação de formadores no tratamento da malária, que está a decorrer em Luanda.
Este curso, que abrange as províncias de Luanda e Bengo, é o primeiro de um conjunto de seis que visa formar 80 técnicos angolanos no âmbito da nova política de tratamento da malária.
Nestes cursos, com uma duração de cinco dias, participam médicos, enfermeiros e técnicos de laboratório.
O Ministério da Saúde de Angola adoptou a introdução de uma combinação terapêutica para o tratamento da malária baseada na artemisinina, um novo medicamento que, segundo Milton Saraiva, "revelou uma eficácia de 100 por cento nos testes realizados em várias províncias de Angola".
A adopção deste novo tratamento surgiu na sequência dos resultados obtidos num estudo realizado sobre a resistência aos anti- palúdicos utilizados, que revelou que a cloroquina apresentava uma resistência superior a 50 por cento.
Nos casos mais simples de malária, as autoridades de saúde angolanas passam a utilizar o COARTEM, uma combinação terapêutica de artemisinina com lumefantrina, que é o tratamento recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para os casos de malária nos países da África Subsaariana.
Segundo Milton Saraiva, nos casos mais graves de malária será utilizado o quinino endovenoso.
Relativamente às mulheres grávidas, está previsto um tratamento preventivo com uma combinação de sulfadoxina e pirimetanina, que será ministrada em duas doses entre o quarto e o sétimo mês de gravidez.
A malária é actualmente a principal causa de morte em Angola, onde são registados anualmente 2,5 milhões de casos, que provocam cerca de 25 mil mortos, dos quais 35 por cento são crianças com menos de cinco anos e 25 por cento são mulheres grávidas.
Os dados oficiais estimam em mais de 100 milhões de dólares o impacto anual desta doença nos cofres do Estado angolano.
As precárias condições de higiene e de saneamento do meio ambiente, o deficiente acesso aos cuidados básicos de saúde e a insuficiente informação sobre a prevenção da doença são as principais razões apontadas pelas autoridades sanitárias para o elevado número de casos registados todos os anos.
Para inverter a situação, o Ministério da Saúde está a implementar um plano estratégico de luta contra a malária, nos termos do qual se pretende que 60 por cento dos doentes possam ter acesso a um diagnóstico e tratamento eficaz nas 24 horas seguintes ao início dos sintomas.
Este plano pretende ainda elevar para 60 por cento a percentagem de mulheres grávidas e crianças menores de cinco anos protegidas por mosquiteiros tratados com insecticidas.
A aquisição e distribuição destes mosquiteiros de nova geração i uma das medidas que serão financiadas com a verba de 25 milhões de dólares disponibilizada pelo Fundo Global para a luta contra a malária em Angola.
Este apoio do Fundo Global, uma parceria público/privada de âmbito internacional que visa angariar fundos para o combate às grandes endemias, será ainda aplicado em programas de formação de quadros, aquisição e distribuição de medicamentos e meios técnicos de laboratório, entre outras medidas de combate à doença.