Novos ataques xenófobos na África do Sul levam mais moçambicanos a pedir regresso

Novos ataques xenófobos na África do Sul levam mais moçambicanos a pedir regresso

As autoridades moçambicanas reportaram hoje novos incidentes envolvendo cidadãos nacionais na África do Sul, num contexto de agravamento da tensão xenófoba naquele país vizinho, que está a impulsionar o aumento dos pedidos de regresso voluntário a Moçambique.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"Mantém-se tensa a situação em algumas províncias da República da África do Sul, na sequência da persistente mobilização de grupos anti-imigração que exigem a retirada de cidadãos estrangeiros em situação migratória irregular até ao dia 30 de junho", lê-se num comunicado de imprensa divulgado hoje pelo Gabinete de Informação de Moçambique (Gabinfo).

De acordo com o documento, o ambiente de insegurança tem provocado deslocações de milhares de cidadãos estrangeiros para centros de acolhimento temporário, sobretudo na província sul-africana de KwaZulu-Natal, onde se registaram novos incidentes violentos.

"Na mesma província, o consulado de Moçambique em Durban continua a receber inscrições de cidadãos moçambicanos que manifestam intenção de regressar voluntariamente ao País, estando em curso o processo de registo e organização da logística de repatriamento", refere-se.

Segundo o Gabinfo, entre os incidentes de violência envolvendo cidadãos moçambicanos destaca-se a agressão de uma cidadã na região de Verulam, na sexta-feira, que resultou em ferimentos e assistência médica local, e a tentativa de intimidação de outras três cidadãs, no sábado, no bairro de La Rochelle, em Joanesburgo, situação controlada pela polícia sul-africana, "sem registo de danos maiores".

"As Missões Diplomáticas e Consulares de Moçambique na República da África do Sul continuam a acompanhar de perto a evolução da situação e a prestar a assistência e proteção consular necessárias aos cidadãos moçambicanos afetados", conclui-se no comunicado.

As tensões xenófobas são um problema recorrente na África do Sul. Inúmeras comunidades de imigrantes foram repatriadas pelos próprios países, como Moçambique ou a Nigéria, e a África do Sul foi alvo de críticas internacionais por xenofobia. Os incidentes mais graves dos últimos tempos ocorreram no final de 2019, com 18 estrangeiros mortos, segundo dados da organização Human Rights Watch.

Manifestantes anti-imigração sul-africanos deram até 30 de junho para todos os estrangeiros abandonarem o país e o Governo da África do Sul anunciou nos últimos dias restrições às políticas migratórias.

Hoje, a polícia sul-africana reforçou o seu efetivo no terreno perante o aproximar do dia 30 de junho.

"A polícia sul-africana reforçou o seu nível de preparação operacional em todas as províncias, com planos de mobilização completos em vigor para proteger as comunidades, as infraestruturas críticas e os principais espaços públicos", declarou à imprensa o ministro da Polícia interino, Firoz Cachalia.

Mais de 700 cidadãos moçambicanos já foram repatriados da vizinha África do Sul, após mais de 800 residentes na cidade de Mossel Bay, na província sul-africana de Cabo Ocidental, terem sido vítimas de ações de xenofobia, em 29 de maio, que já mataram nove moçambicanos.

Na quarta-feira, o Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês), partido no poder na África do Sul, distanciou-se, em Maputo, capital moçambicana, dos recentes ataques xenófobos "desumanos" no seu país, assegurando trabalhar numa resposta legal para travar a crise.

Em 09 de junho, o Governo moçambicano também admitiu preocupação com o "recrudescimento do discurso anti-imigração" na vizinha África do Sul, receando o agravamento da situação até final do mês, após o regresso de 714 cidadãos ao país nos últimos dias.

Moçambique tem cerca de 300.000 cidadãos residentes na África do Sul. A Presidência indicou, em comunicado, que "milhares" já regressaram ao país face à violência.

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