Número de presos políticos em Cuba ascende a 1.260

Número de presos políticos em Cuba ascende a 1.260

A ONG Prisoners Defenders (PD) registou, em abril, um total de 1.260 presos por motivos políticos em Cuba, mais dez que no mês anterior, e denunciou uma "intensificação imparável" da repressão na ilha.

Lusa /

A ONG, com sede em Madrid, assinalou no seu relatório de abril, publicado na quinta-feira, que a repressão é caracterizada por "detenções arbitrárias, desaparecimentos temporários, ameaças, campanhas de descrédito e criminalização de qualquer forma de expressão crítica contra o regime".

No seu relatório mensal, a ONG incluiu 23 novos reclusos, entre eles menores de idade, desportistas, artistas, jornalistas independentes e ativistas pacíficos, e 13 saídas da prisão, na sua maioria por cumprimento integral da sanção imposta.

Além disso, o relatório incluiu denúncias de violência sexual na prisão, repressão contra familiares de opositores e ameaças de morte contra presos políticos e de consciência, perante uma eventual intervenção dos Estados Unidos na ilha.

Entre os presos políticos documentados em 2026, figuram quatro menores presos na sequência dos protestos de 13 de março em Morón (no centro), onde dezenas de habitantes saíram à rua devido aos prolongados cortes de energia e à escassez de produtos básicos, quando um grupo entrou na sede do Partido Comunista de Cuba (PCC, único legal).

A idade mínima penal em Cuba é de 16 anos.

A ONG sublinhou que esses menores se encontram presos "sem garantias judiciais efetivas, permanecem em prisão provisória e foram acusados de crimes graves, sob procedimentos opacos e com denúncias de tortura, maus tratos e isolamento".

Além disso, a ONG citou denúncias de reclusos, familiares e ativistas sobre os avisos de funcionários penitenciários e agentes da Segurança do Estado (inteligência interna) de que os presos políticos seriam executados em caso de uma intervenção militar norte-americana.

A Prisoners Defenders sublinhou que essas ameaças têm sido contra "casos específicos, gerando um profundo pânico entre os presos de consciência e os seus familiares".

Quanto à libertação de 51 presos anunciada pelo Governo cubano em março e ao "indulto humanitário" de 2.010 reclusos iniciado em abril, a ONG afirma que ambos os processos estiveram marcados pelo "engano, a opacidade e a exclusão deliberada da maioria dos presos políticos".

Sobre a libertação de 51 pessoas, a ONG confirmou que apenas 27 deles eram presos políticos, enquanto os restantes eram presos comuns.

Quanto ao segundo processo, sinalizou que nenhum era preso por motivos políticos.

O relatório totaliza, assim, 2.048 presos políticos nas prisões cubanas desde 01 de julho de 2021 até finais de abril de 2026.

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