Número recorde de incêndios florestais em 2025 na União Europeia

Número recorde de incêndios florestais em 2025 na União Europeia

Portugal registou 999 incêndios que deflagraram 284.012 hectares, o dobro do ano anterior. 2025 foi é o segundo pior ano desde 2010 embora ainda esteja muito aquém do extremo de 2017.

Andrea Neves, correspondente da RTP Antena 1 em Bruxelas /
Foto: João Santos Costa - RTP

De acordo com os novos dados do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS), gerido pelo Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia, a União Europeia registou a época de incêndios florestais mais devastadora de que há registo em 2025, com mais de um milhão de hectares de terras ardidas – uma área aproximadamente igual à de Chipre.
 Em 2025, foram mapeados incêndios em 25 dos 27 países da UE (todos, exceto Luxemburgo e Malta, onde não foram detetados incêndios), queimando 1.079.538 hectares, a maior área ardida alguma vez registada pelo EFFIS na UE. Quase o dobro da área ardida média na UE, o pico principal ocorreu em julho e agosto, quando alguns dos maiores incêndios do ano foram mapeados em Espanha e Portugal.A época de incêndios florestais de 2025 assinalou novos padrões preocupantes: épocas de incêndios mais precoces e mais longas, com incêndios a começar já em março; ondas de calor mais frequentes e intensas, que alimentam um fogo extremo; e incêndios florestais que se propagam a latitudes mais elevadas, afetando regiões anteriormente consideradas de baixo risco.

A temporada de incêndios começou invulgarmente cedo em 2025, com mais de 100 mil hectares já destruídos até o final de março. A situação agravou-se drasticamente durante o verão, em particular no Mediterrâneo, onde uma vaga de calor prolongada em agosto provocou 22 grandes incêndios só em Portugal e em Espanha, queimando 460 585 hectares – quase metade da área total ardida da UE.



Cicatrizes de incêndios produzidos por fogos florestais durante a época de 2025 – Relatório preliminar sobre os incêndios florestais na Europa, Médio Oriente e Norte de África em 2025
Em PortugalEm 2025, 999 incêndios deflagraram em 284.012 hectares, o dobro do ano anterior. Este é o segundo pior ano desde 2010 (o quarto pior no EFFIS), embora ainda esteja muito aquém do extremo de 2017.
Após um início tranquilo, 81% do total anual dos incêndios em Portugal ocorreram agosto. 

O relatório hoje divulgado refere que os sete maiores incêndios (seis dos quais com mais de 10 000 hectares) ocorreram nesse mês de verão do ano passado.

O primeiro, segundo, quarto e sétimo maiores eventos, (respetivamente com 62 104 hectares, 37 619, 23 594, e 9 523), ocorreram na mesma região das Beiras e Serra da Estrela, enquanto o terceiro maior, com 30 455 hectares, ocorreu na Região de Coimbra.

O quinto maior incêndio florestal ocorreu na região do Viseu Dão Lafões e o sexto na região do Douro.

No que se refere à tipologia de terrenos atingidos pelos fogos em Portugal verificou-se que os que são definidos como áreas de transição foram os mais atingidos 98.969 hectares ardidos o equivalente a praticamente 35 por cento o total.

A floresta de folha larga e a floresta mista foram as áreas menos atingidas. Houve ainda 56.532 hectares ardidos em áreas agrícolas, cerca de 20 por cento, enquanto as florestas de folha larga e as florestas mistas foram os tipos de solo menos atingidos. 


Principais áreas ardidas em Portugal em 2025. Fonte: Comissão Europeia – Relatório preliminar sobre os incêndios florestais na Europa, Médio Oriente e Norte de África em 2025Incêndios florestais em Sítios Natura 2000 e outras áreas protegidas
Do total de área ardida 424.023 hectares ocorreram em sítios Natura 2000, também o valor mais elevado alguma vez registado pelo EFFIS. 

Isto equivale a cerca de 39% da área total ardida nos 27 países da EU, três vezes superior à de 2024 e o dobro da de 2023.

Dois terços dos danos nas áreas protegidas provêm de três países (Espanha, Portugal e Roménia). Em 2025, Espanha foi o país mais afetado, seguido da Roménia e de Portugal, representando, em conjunto, quase 75% da área total ardida em áreas protegidas.

De acordo com o relatório da Comissão Europeia mais de metade da área ardida cartografada em Portugal (51.323 hectares) registou-se em sítios Natura 2000, correspondendo a 2,15% do total das áreas Natura 2000 em Portugal. Registaram-se 317 incêndios nestas áreas protegidas em território nacional.Uma estratégia europeia para os incêndios
Bruxelas salienta que esta época recordista não é uma situação atípica, mas sim um apelo a uma resposta europeia mais forte e mais coordenada. Em 25 de março de 2026, a Comissão Europeia adotou uma nova estratégia para combater o aumento da ameaça de incêndios florestais que abrange todo o ciclo de risco de catástrofes – prevenção, preparação, resposta e recuperação – e estabelece ações concretas a nível nacional e da UE.

A estratégia promove a existência de paisagens resistentes aos incêndios através da gestão sustentável dos solos e da restauração da natureza, reforça o alerta precoce e a monitorização através do EFFIS e do Copernicus e aumenta a capacidade da UE de combate a incêndios através de uma frota de aeronaves de combate a incêndios, do pré-posicionamento de bombeiros e de uma nova plataforma europeia de combate a incêndios com sede em Chipre.

Esta estratégia inclui igualmente a preparação da população, a recuperação pós-incêndio e a integração do risco de incêndios florestais nos quadros de financiamento da UE. Com esta estratégia, a Europa está a adaptar-se a um risco de incêndio florestal que já não é sazonal, mas estrutural.

PUB